terça-feira, 26 de outubro de 2010

10 teorias científicas bizarras

Quando os astrofísicos usam a fórmula da lei da gravitação universal descoberta por Isaac Newton, eles conseguem calcular com precisão onde um determinado planeta estará em uma determinada hora em um determinado dia.

Assim como as leis de Newton, outras fórmulas físicas, químicas e matemáticas, desenvolvidas em teorias científicas testadas e comprovadas ao longo dos séculos, funcionam no mundo real e têm permitido ao homem colocar satélites em órbita, construir pontes e criar compostos químicos, entre outras coisas.  

Há, no entanto, teorias científicas que são de difícil comprovação prática e capazes de fazer nossos cérebros derreterem ao tentar compreendê-las. Muitas delas assemelham-se mais a um roteiro de ficção científica do que a algo que possamos acreditar que exista de verdade. Nas próximas páginas, descubra quais são as dez teorias científicas mais estranhas já criadas neste mundo.

0. Teoria do Big Bang

big bang
© istockphoto.com / Duncan Walker
Ela é uma das teorias mais aceitas atualmente para explicar a origem e a natureza do universo, principalmente por que muitas de suas explicações puderam ser comprovadas em observações e medições espaciais. Ainda assim, ela é cheia de ideias malucas para a nossa compreensão, como a de que tempo e espaço provavelmente não existiam antes do Big Bang - baseada na concepção de que tempo e espaço estão ligados, proposta na Teoria da Relatividade de Einstein -, de que não há um centro no universo e de que não é possível ainda saber se o universo está se expandindo dentro de alguma outra coisa ou se não há nada além de suas fronteiras. Ela é uma teoria tão polêmica que até mesmo os cientistas que creem piamente nela têm divergências quanto aos seus resultados. Exemplo disso é a idade do universo que ela possibilitou prever. Antes de chegarem a um consenso de que o universo deve ter 13,7 bilhões de anos, com uma margem de erro de uns 200 milhões de anos para mais ou menos, os cálculos feitos ao longo do século 20 baseados na Teoria do Big Bang apontaram resultados que variaram de 2 bilhões a 20 bilhões de anos para a idade do cosmo.

9. Teoria do Caos

teoria do caos
© istockphoto.com / Pleio
Ela diz que muito dos fenômenos que imaginamos acontecer aleatoriamente são na verdade previsíveis. Só que sua previsão é tão complexa que dificilmente é precisa e duradoura. Entendeu? Significa algo como: é possível prever, mas bem pouco provável que acertaremos na previsão. Mesmo com essa pessimista perspectiva, os cientistas têm aplicado a Teoria do Caos em várias áreas, com destaque para o estudo dos fenômenos climáticos. Para representar a fragilidade das previsões oriundas da Teoria do Caos criou-se a imagem de que o bater de asas de uma borboleta na China pode provocar um furacão nos Estados Unidos. Isto por que segundo essa teoria um evento aparentemente insignificante pode ter consequências imprevisíveis, uma vez que o resultado final é determinado por ações interligadas de forma extremamente complexa e aparentemente aleatória. A alegoria do "efeito borboleta" tenta ilustrar que o caos está justamente entre os fenômenos regulares e os aleatórios. Assim, há uma conexão entre eventos passados e futuros, mas ela não é forte o suficiente para garantir uma previsibilidade de longo prazo.

8. Teoria do Mundo Pequeno

teoria do mundo pequeno
© istockphoto.com / DN-Group
Toda vez que você usa a expressão "mas que mundo pequeno!" está na verdade comprovando na prática uma das mais esquisitas ideias científicas de todos os tempos. ATeoria do Mundo Pequeno, ou dos seis graus de separação, diz basicamente que para conhecer qualquer indivíduo em qualquer parte do mundo - do Dalai Lama a Miss Universo - é necessário, no máximo, estabelecer uma rede de contatos com seis pessoas. Assim, segundo essa teoria não é nada surpreendente o fato de você conhecer por acaso alguém e descobrir que ele é um amigo ou parente de algum outro conhecido seu. Portanto, aquilo que você sempre imaginou ser uma incrível coincidência, não é. A Teoria do Mundo Pequeno já foi testada de várias formas, de modelos matemáticos a experimentações de psicologia social. Uma das aplicações mais importantes dessa teoria está na área de saúde, pois graças a ela é possível identificar pessoas muito conectadas e potenciais disseminadoras de uma determinada doença, evitando-se o surgimento de pandemias.

7. Teoria das Supercordas

Teorias científicas
©iStockphoto.com/Craftvision
Qual é a partícula fundamental da composição do universo? Os gregos antigos imaginaram um elemento indivisível que chamaram de átomo. Mais tarde descobrimos que os átomos são compostos por partículas subatômicas e depois que estas também são compostas por outros elementos menores ainda. Essas descobertas de que o indivisível era divisível seguiram até que a Teoria das Supercordas propôs que as partículas que compõem o Universo teriam a forma de cordas vibrantes e que cada vibração estabeleceria as características de uma determinada partícula. Segundo o astrofísico Stephen Hawking, as diferentes oscilações de uma corda dão origem a diferentes massas e cargas de força, que são interpretadas como partículas fundamentais. A Teoria das Supercordas levou os cientistas a imaginarem que o antigo sonho deEinstein de unificar todas as teorias estava agora ao alcance deles. Saiba mais na próxima página.

6. Teoria de Tudo

teoria do caos
© istockphoto.com / Andrey Prokhorov
Após desenvolver suas teorias da relatividade e bagunçar toda a geometria euclidiana com a introdução de novas dimensões as até então três conhecidas, Albert Einstenpassou a buscar uma união das teorias físicas em um único conjunto de equações. Ele almejava uma teoria da unificação geral, ou uma Teoria de Tudo, que na época significava unir a relatividade com o eletromagnestismo. Com a descoberta das forças que agem dentro do átomo e a teoria quântica, a busca pela Teoria de Tudo ficou mais complicada ainda, mas vários cientistas continuaram a persegui-la. Quando surgiu, a Teoria das Supercordas foi considerada durante algum tempo como a teoria fundamental do universo. Mas para ela dar conta de explicar todos os componentes da natureza em uma única teoria era necessário considerar que o universo tivesse dez ou 11 dimensões, isto é, seis ou sete dimensões a mais daquelas que conseguimos vivenciar no nosso espaço-tempo. E onde estariam essas dimensões? Segundo os cientistas, nós não as notamos pois elas estariam enroladas em si mesmas, como tubinhos bem pequeninos. Dá para imaginar?

5. Antimatéria

Antimatéria
Universidade Estadual da Pensilvânia
Espaçonave movida a antimatéria
A antimatéria é o que move a Entreprise, nave comandada pelo capitão Kirk em "Star Trek", a uma velocidade suficiente para atingir a dobra espacial e saltar de um ponto a outro do universo. Mas se você pensa que ela existe somente emficção científica está enganado. O físico britânico Paul Dirac resolveu em 1928 dar uma revisadinha na famosa equação E=mc2 e concluiu que Einstein"esqueceu" um detalhe. Segundo Dirac, Einstein considerou que a massa, o "m" na equação, era sempre positiva. Para o físico britânico, no entanto, o "m" poderia ter propriedades negativas também. Ao reescrever a equação, Dirac a definiu como: E = + ou - mc2. A conclusão dele era que deveríamos considerar a existência de antipartículas no nosso universo. E o que seriam essas antipartículas? Nada mais do que o espelho da matéria normal. Cada antipartícula tem a mesma massa que a original mas com carga elétrica inversa. Desde então, vários experimentos têm provado a existência dessa antimatéria, com a descoberta dos posítrons, elétrons com caga positiva, e dos antiprótons, prótons com carga negativa. O contato da antimatéria com a matéria resulta numa explosão que emite radiação pura.

4. Princípio da Incerteza

Quantum
Reprodução
As descobertas dateoria da relatividade e do mundo quântico alimentaram nossa imaginação com viagens no tempo, universos paralelos e a existência de muitos mundos. Uma das fontes dessas ideias é o Princípio da Incerteza de Heisenberg. Na década de 20, o físico alemão Werner Heisenberg formulou a ideia de que nos experimentos quânticos quanto mais tentamos medir a posição exata de um quanta menos conseguimos medir a sua velocidade e vice-versa. Isso porque, segundo Heisenberg, no mundo quântico é inevitável que a observação de seus fenômenos influencie o estado e a velocidade das pequenas partículas que o habitam. Assim o mundo quântico seria probabilístico, pois a cada tentativa de observá-lo afetamos ou a velocidade ou a posição de suas partículas. Isso faz com que haja uma incerteza em relação ao que se está observando. Por conta disso, boa parte das explicações sobre a mecânica quântica vêm de experimentos mentais criados pelos cientistas, baseados nas observações reais em nível quântico, mas levando em consideração o Princípio de Incerteza de Heisenberg.

3. Interpretação de Copenhague

niels bohr
Jorge Zahar Editor
Provavelmente você acredita que a cadeira em que está sentado continuará a se "comportar" da mesma forma quando você não estiver por perto a observando. Mas pode ser que isso não aconteça em outras situações. Segundo alguns cientistas, as partículas no universo quântico comportam-se dependendo do observador. E isso é explicado pelo que eles chamam de Interpretação de Copenhague. Segundo o físico Niels Bohr, um dos mais importantes cientistas de todos os tempos, uma partícula quântica não existe em um estado ou outro, mas em todos os seus possíveis estados ao mesmo tempo. Somente quando a observamos é que ela decide em que estado se apresentará, probabilisticamente (lembre-se do Princípio da Incerteza de Heisenberg). O fato dela poder se apresentar diferente a cada vez, por conta dos fatores envolvidos na observação, explica porque as partículas quânticas têm um comportamento irregular. Se pudesse ser aplicada a coisas bem maiores, a Interpretação de Copenhague significaria que, enquanto você não está observando, os móveis da sua sala podem estar fazendo a maior festa ou estarem simplesmente imóveis, tudo ao mesmo tempo.

. Teoria dos Muitos Mundos

Muitos Mundos
©2007 HowStuffWorks
Teoria dos Muitos Mundos é o oposto da Interpretação de Copenhague. Ela afirma que, para cada possível resultado de uma ação, o mundo se divide em uma cópia de si mesmo. Se você aperta um revólver carregado contra a própria cabeça há duas possibilidades: o revólver dispara e você morre ou ele falha, não dispara e você vive. Segundo a teoria, ao apertar o gatilho o universo imediatamente se divide em dois, em um deles você morre, porque o revólver disparou, e no outro você continua vivinho, porque a arma falhou. A Teoria dos Muitos Mundos está relacionada com a ideia de universos paralelos e pode ser a chave para explicar o que acontece naquela estranha ilha do seriado "Lost". Para muitos, no universo quântico as partículas mudariam de "comportamento" em função de nossa observação. Para os adeptos da Teoria dos Muitos Mundos, na verdade, essa impressão vem do fato de estarmos observando apenas um dos vários universos possíveis em que aquela partícula existe.

1. Teoria do Princípio Antrópico

princípio antrópico
© istockphoto.com / Jerry McElroy
Enquanto a Teoria do Big Bang mostrou a nossa insignificância perante o cosmo, a ideia do Princípio Antrópico tenta justamente provar o oposto. Basicamente ela diz que tudo que existe no universo existe por uma única razão: possibilitar a nossa existência. Provavelmente nem Alexandre, o Grande, conseguiu ser tão megalomaníaco quanto os cientistas que desenvolveram essa hipótese. Para eles, desde o Big Bang até o universo quântico, tudo conspira intencionalmente para um único fim: a existência do ser humano. De acordo com o Princípio Antrópico o homem é o centro e a razão de ser do universo. Seus defensores acreditam na hipótese de que os valores de determinadas constantes no cosmo não são simples coincidência. Um dos componentes dessa teoria é a ideia de que o nosso universo é apenas um dos muitos que existiriam em algo bem maior chamado de "multiverso", um lugar formado por vários universos. Em alguns desses universos poderia estar acontecendo alguma espécie de evolução darwiniana que culminaria também com o surgimento da vida. Desacreditada no começo do século 20 por soar mais como teologia do que ciência, a ideia de que o universo foi feito sob medida para o homem tem ganhado a adesão de importantes cientistas nas últimas décadas. Acredite se quiser.

10 cientistas mais importantes de todos os tempos

Eles tiveram ideias e fizeram descobertas que transformaram o mundo. Seus pensamentos explicaram desde o funcionamento das forças que regem o cosmo até o que acontece no nosso corpo e mente. Graças a eles o ser humano conseguiu compreender e dominar muitos aspectos da natureza, de coisas que antes eram atribuídas à vontade de deuses ou demônios. Entre todos os cientistas que ao longo da história têm contribuído para isso alguns destacam-se por sua genialidade. Eles são os cientistas mais influentes de todos os tempos.

einstein
© istockphoto/Jose A.Santiso
Foi principalmente desde o fim da Idade Média que a humanidade começou a desenvolver uma concepção científica do mundo. Naqueles tempos, a ideia de que há leis na natureza que regem todos os fenômenos começou a se sobrepor a superstições e ao medo da magia. A matemática, que vinha se desenvolvendo desde o antigo Egito, foi a base das descobertas extraordinárias que começaram a acontecer. Os responsáveis por isso foram homens que usaram a ciência para iluminar os caminhos da civilização, com conquistas tecnológicas, médicas e sociais, entre outras, praticamente inimagináveis há apenas alguns séculos. Conheça nas páginas a seguir quem são dez dos mais influentes cientistas de todos os tempos, apresentados em ordem cronológica.

Nicolau Copérnico (1473-1543)

Nicolau Copérnico
© iStockphoto.com /GeorgiosArt
A partir de suas observações do céu a olho nu, pois a luneta ainda não havia sido inventada, o polonês Nicolau Copérnico fez uma descoberta que causou a primeira grande revolução em nossa concepção do universo. Estudioso de astronomia, matemática e medicina, ele escreveu "Sobre as Revoluções das Esferas Celestes", na qual afirmou que a Terra gira em torno de seu próprio eixo uma vez por dia e em torno do Sol uma vez por ano. Numa época em que os dogmas da então poderosa Igreja Católica afirmavam que a Terra ficava parada no espaço e era o centro do universo, a descoberta de Copérnico era fantástica e ousada. Sua concepção de heliocentrismo, ainda que imperfeita, pois previa órbitas circulares dos planetas em torno do Sol, quando na verdade elas são elípticas, iniciou um fabuloso processo de descobertas astronômicas e físicas nas décadas a seguir.

Galileu Galilei (1564-1642)

galileu galilei
© istockphoto.com / Steven Wynn
O italiano Galileu Galilei foi um dos primeiros a perceber como a matemática aplicada aos fenômenos naturais nos propicia um poder extraordinário para compreender o que acontece no cosmo. Algumas décadas depois de Copérnico ter concebido o sistema heliocêntrico, Galilei o confirmou após dedicar sua vida à pesquisa, à observação dos planetas, aos cálculos e ao aperfeiçoamento do telescópio. Além da concepção heliocêntrica, Galilei cometeria outra heresia ao contestar os pensamentos inquestionáveis de Aristóteles sobre o movimento. Mas foi sua afirmação de que a Terra, assim como os outros planetas conhecidos, giravam em torno do Sol que o levou ao tribunal da Santa Inquisição. Para escapar da morte na fogueira, Galilei assinou uma declaração na qual se considerava um pecador por tal afirmação. No entanto, após tê-la assinado, ele teria murmurado: "Mas ela gira".

Johannes Kepler (1571-1628)

Sol
Reprodução
Kepler mostrou que a órbita dos planetas ao redor do Sol é elíptica
Contemporâneo de Galileu Galilei, Kepler foi responsável por descobrir que a volta que os planetas dão em torno do Sol é elíptica e não circular como acreditavam Copérnico e Galilei. Sua dedicação à matemática euclidiana era tal que afirmou: "a geometria é Deus". O talento matemático do alemão Kepler o levou a trabalhar ao lado do nobre dinamarquês e matemático imperial Tycho Brahe. O dinamarquês possuía observações astronômicas muito mais precisas do que qualquer um naquela época e elas foram fundamentais para as conclusões de Kepler. O movimento orbital de Marte, observado por Brahe, levou Kepler a descobrir que as órbitas dos planetas em torno do Sol eram elípticas. E ele foi além. O alemão desenvolveu as três leis fundamentais dos movimentos planetários e com isso fundou a astronomia moderna.

Isaac Newton (1642-1727)

Isaac Newton
© istockphoto.com / Steven Wynn
O legado de Copérnico, Galilei e Kepler foi fundamental para que o inglês Isaac Newton desenvolvesse suas ideias sobre gravitação universal, uma audaciosa suposição que mudou o destino da ciência. Ainda jovem, Newton desenvolveu o cálculo, uma das mais importantes áreas da matemática moderna, além de ter elaborado o conceito de força e a teoria mecânica. O cálculo possibilitou a Newton ter as técnicas necessárias para suas descobertas a respeito da gravidade. A primeira de suas três famosas leis diz que um corpo permanece em repouso ou em movimento uniforme ao longo de uma linha reta, a menos que sofra ação de uma força externa (lei da inércia). A segunda afirma que o efeito de uma força contínua sobre um corpo inicialmente em repouso ou em movimento uniforme é fazê-lo acelerar. E a terceira diz que se um corpo exerce uma força sobre o outro, o segundo exercerá ao mesmo tempo força oposta e da mesma intensidade sobre o primeiro. Newton, ao combinar teoria mecânica e matemática, explicou como o mundo funciona e como é possível calcular o que acontece 

Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794)

Antoine Lavoisier
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Apesar de cursar direito na faculdade, eram as aulas de ciência que interessavam ao nobre francês Antoine Lavoisier. Foi esse interesse que o levou a escrever "Tratado Elementar da Química", obra que marcou a fundação da química moderna. Sua contribuição mais famosa e importante é a lei da conservação da matéria, na qual afirma que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. O cientista foi responsável também por elaborar a nomenclatura das substâncias químicas e pela descoberta de que a água é uma substância composta, formada por hidrogênio e oxigênio, uma afirmação que contrariava um dos princípios aristotélicos até então em vigor, que pressupunha que a água era uma substância impossível de se decompor. Ligado à nobreza e ao governo monárquico, Lavoisier foi morto na guilhotina durante a Revolução Francesa.

Charles Darwin (1809-1882)

Darwin
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Antes dele, a ciência já havia mostrado que a Terra não era o centro do universo. Com as descobertas de Charles Darwin um novo e definitivo golpe foi desferido nos dogmas religiosos e nos mitos de criação divina do cosmo e do ser humano. Se dependesse de seu pai, Darwin teria concluído os cursos de medicina ou teologia, mas o interesse do inglês por botânica o fez embarcar na expedição que o navio HSM Beagle fez para a América do Sul, numa missão de pesquisa científica. Foi durante essa viagem que ele fez as observações que o levariam a desenvolver a revolucionaria teoria da evolução das espécies. Suas conclusões mostravam que a humanidade era somente um passo a mais num processo evolutivo de sobrevivência e de seleção natural. Até hoje a ideia de que o homem descende do macaco é a mais ousada já desenvolvida pela ciência. A revolução que colocava o ser humano no seu devido lugar no universo, iniciada por Copérnico, estava concluída com a publicação de “Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural”, de Charles Darwin.

Louis Pasteur (1822-1895)

Louis Pasteur
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Sua descoberta da ação dosmicroorganismos teve impactante consequência tanto na química como na medicina. O francês Louis Pasteur ao investigar os processos de fermentação do vinho e da cerveja descobriu que eles ocorriam devido a ação de microorganismos que se encontram no ar. Isso o fez compreender que os microorganismos eram responsáveis também por moléstias contagiosas. As descobertas de Pasteur o levaram a criar métodos para evitar a ação desses nocivos agentes externos tanto nos alimentos, com a criação do processo depasteurização, como nos seres humanos, com o desenvolvimento de medidas profiláticas na medicina e a criação das vacinas, como a anti-rábica. A contribuição de Pasteur possibilitou estabelecer uma nova e melhor perspectiva de vida para a humanidade.

Sigmund Freud (1856-1939)

The Mind of Freud
Reprodução
No final do século 19, o homem já conhecia bastante sobre o funcionamento do universo e do corpo humano. Mas não sabia muito sobre a principal ferramenta que utilizava nessas descobertas: a mente. Graças às investigações científicas experimentais de um médico neurologista austríaco isso mudou radicalmente. Sigmund Freuddesenvolveu um conjunto de teorias e práticas clínicas para compreender os problemas mentais que nos afligem. O resultado foi a criação da psicanálise, ao mesmo tempo campo de estudo e tratamento que mostram que são fatores psicológicos e não orgânicos os causadores de muitos males que acometem a mente humana. O desenvolvimento da psicanálise por Freud possibilitou o tratamento de uma série de desordens mentais, como histerias, neuroses e depressões. Suas descobertas e pensamentos influenciaram boa parte da produção intelectual, das ciências humanas às artes, desde o início do século 20.

Albert Einstein (1879-1955)

einstein
Imagem cedida 2006 SmugMug, Inc.
Quando Albert Einstein nasceu fazia quase dois séculos que Isaac Newton havia provado que tempo e espaço eram absolutos e não tinham nenhuma relação com coisas exteriores. Desde então acreditava-se que o tempo fluía de modo equitativo e o espaço permanecia sempre semelhante e inamovível. Essas certezas cairiam por terra com as ideias de Einstein. O cientista alemão supôs que não há nada que se possa chamar de movimento absoluto. Segundo Einstein, toda velocidade é relativa ao referencial específico que a define. Assim, se há movimento relativo, o tempo e o espaço se tornam relativos e o tempo é tão intrinsecamente ligado ao espaço que se torna uma quarta dimensão dele. Com sua Teoria da Relatividade, Einstein provocou uma revolução na nossa visão sobre o universo. Suas ideias anunciaram o fim da física clássica e o início da era da física quântica e da energia nuclear.

Niels Bohr (1885-1962)

Nesta simples imagem de um átomo, é possível ver os elétrons existentes em órbitas separadas como Bohr imaginou.
© How Stuff Works
Nesta simples imagem de um átomo,
é possível ver os elétrons existentes em órbitas separadas como Bohr imaginou
Ele solucionou um dos maiores enigmas da ciência: o da estrutura atômica. E fez isso ao usar um então inovador campo do conhecimento científico: a física quântica. O dinamarquês Niels Bohr, ganhador do Nobel de Física de 1922, começou suas revolucionárias descobertas ainda jovem. Quando estudava na Universidade de Copenhague, Bohr compreendeu em um de seus experimentos que as regras da física clássica não se aplicavam aos níveis subatômicos. Segundo ele, para entender o que acontecia dentro de um átomo, era necessário desenvolver uma nova física. Ao aplicar a teoria quântica do alemão Max Planck, Bohr mostrou que ela era essencial para explicar os fenômenos subatômicos. Suas descobertas levaram ao desenvolvimento da mecânica quântica e à precisa explicação do que acontecia numa fissão nuclear.

10 maiores fraudes científicas

No fim de 2009, hackers invadiram um servidor da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e roubaram cerca de três mil e-mails que ao serem divulgados puseram em dúvida a atitude dos climatologistas defensores da tese de que oaquecimento global é causado pela ação humana. O caso que ficou conhecido como "climagate" reacendeu o debate sobre a ética científica e mostrou que muitos cientistas não são nem um pouco santos quando se trata de defender seus argumentos.

Mas o climagate não só colocou sob suspeita a ideia de que as mudanças climáticas têm causas antropogênicas como trouxe de volta o fantasma de fraudes e embustes que já assombraram as grandes descobertas feitas pela ciência. Ao longo dos séculos essas tentativas de fazer trotes científicos só serviram para alimentar os argumentos daqueles que se opõem às principais teorias, como o evolucionismo. Nas próximas páginas, conheça quais foram dez das maiores fraudes científicas que colocaram em risco a credibilidade de investigações sérias.

Galinha-dinossauro

Maiores fraudes da ciência
Reprodução
Ilustração do que seria o Archaeoraptor segundo a revista National Geographic
Em novembro de 1999 a prestigiosa revista National Geographic trouxe uma matéria surpreendente. Ela tratava da descoberta de um fóssil na China que seria o elo perdido entre os répteis e as aves. Apesar de não ser uma revista científica, como aNature em que os artigos são revisados por outros cientistas, a National Geographic tem uma alta credibilidade e neste caso sua descoberta foi sustentada pela avaliação de dois respeitados paleontólogos. O problema foi que Xing Xu, do Instituto de Paleontologia Vertebrada e de Paleoantropologia, de Pequim, e Philip Currie, do Museu de Paleontologia de Alberta, no Canadá, dedicaram apenas dois dias para a análise do fóssil antes de confirmarem que tratava-se da mais sensacional descoberta dos últimos tempos. O fóssil que parecia uma mistura de um galináceo e umvelociraptor ganhou o nome científico de Archaeoraptor liaoningensis, espécie que teria vivido na China há 125 milhões de anos. Um mês depois, o próprio Xing Xu percebeu que havia se enganado. Ele descobriu que o rabo do fóssil pertencia na verdade a outro dinossauro e que o Archaeoraptornada mais era do que uma montagem feita por alguém louco para ganhar dinheiro no disputado mercado ilegal de fósseis.

Cópia falsa

Maiores fraudes da ciência
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Clonar um ser humano teria deixado de ser ficção científica em 2004 se o veterinário Woo-Suk Hwang, da Universidade Nacional de Seul (Coréia do Sul), não estivesse trapaceando. O cientista coreano anunciou que havia clonado o primeiro embrião humano, abrindo as portas para uma revolução na medicina. Sua proeza, que ao longo de um ano teria resultado em mais 11 clones, e 11 linhagens de células-tronco, foi ratificada pela Science, uma das mais importantes revistas científicas do mundo. Hwang virou uma celebridade, foi condecorado e considerado herói nacional, além de receber milhões de dólares para suas pesquisas. Mas pouco tempo depois, denúncias de erros éticos cometidos por Hwang levaram a uma investigação que concluiu que ele não havia clonado nenhum embrião humano, nem  células-tronco embrionárias. O máximo que Hwang havia conseguido foi criar Snuppy, o primeiro cachorro clonado. A farsa foi construída usando embriões comuns, obtidos a partir da compra de óvulos e da coação da sua equipe, e montagens fotográficas.

Água benta

Água
Reprodução
Água com "memória"?
Em 1988, os adeptos da homeopatiaacreditaram que finalmente a ciência reconhecera a eficácia desse tipo de tratamento. Isso porque o médico imunologista francês Jacques Benveniste publicou um artigo na revista Nature que mostrava que a água tinha memória, isto é, que ela guardava traços  dos elementos que haviam entrado em contato com ela. Como a terapia homeopática baseia-se na ideia da diluição de uma substância ativa na água até que não sobre mais nada dessa substância no remédio, a proposição de Benveniste era a "prova científica" para a eficácia do tratamento. O problema é que ninguém, fora os hoemopatas, levou o artigo de Benveniste muito a sério, pois sua hipótese nunca conseguiu ser reproduzida em laboratório. Para piorar, uma nova pesquisa divulgada em 2005 também pela revista Nature e realizada pelo pesquisador R.J. Dwayne Miller, da Universidade de Toronto (Canadá), e por cientistas do Instituto Max Born, da Alemanha, mostrou que a proposta de que a água retenha alguma "memória" de substâncias com que teve contato está errada. Nessa pesquisa, os cientistas não buscavam criticar o princípio homeopático, mas entender como a água funciona. Mas, mesmo sem querer, eles acabaram jogando um balde de água fria na ideia de Benveniste.

Elementos sob suspeita

Maiores fraudes da ciência
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Em 1999, o físico Victor Ninov anunciou a criação em laboratório de dois novos elementos químicos: o 116 e o 118, que seria o elemento químico mais pesado e ganharia o nome de "ununoctium". Mas ninguém conseguiu reproduzir o experimento e numa investigação concluiu-se que o físico havia forjado os resultados. Ninov trabalhava na época para oThe Ernest Orlando Lawrence Berkeley National Laboratory, pertencente ao governo norte-americano, e já era famoso por junto com sua equipe ter obtido os elementos químicos 111 e 112. As investigações mostraram que Ninov havia inserido falso dados na pesquisa e ele foi demitido em 2001. O cientista afirmou ser inocente e que nunca teve a intenção de cometer qualquer tipo de embuste. Ele alegou ser um bode expiatório e que o processo que resultou em sua demissão fazia parte de um complô internacional contra suas pesquisas.

Supercondutividade fraudulenta

Maiores fraudes da ciência
©iStockphoto.com/Frenchmen77
Como duvidar de um cientista que tem em um mesmo ano oito artigos publicado naScience e na Nature, as duas mais respeitadas e rigorosas revistas de ciência do mundo, e ganha três dos mais importantes prêmios científicos? Isso é possível graças a um ceticismo inerente aos cientistas, que faz com que a ciência tenha a possibilidade de corrigir os enganos construídos pelas mais engenhosas fraudes. O fraudador nesse caso é o físico alemão Jan Hendrik Schön, que trabalhando para a empresa Bell Labs teria desenvolvido um transistor em escala molecular a partir de moléculas orgânicas mortas. O embuste de Schön veio à tona quando dois físicos tentaram usar os resultados dos experimentos do alemão como parâmetro para suas pesquisas e notaram que havia algo errado. A Bell Labs iniciou uma investigação e surpreendentemente descobriu que os dados da pesquisa de Schön haviam sido "deletados". Ele foi demitido, perdeu seu título de Ph.D. e quase todos os seus artigos foram retirados das publicações científicas. O caso Schön levou a um intenso debate sobre a eficácia da revisão dos artigos dos cientistas por seus pares. 

Design inteligente

Design
Reprodução
Os adversários do evolucionismoresolveram construir sua própria teoria científica para tentar explicar racionalmente os atos de criação divina. Essa versão "científica" elaborada pelos criacionistas não chega a ser ciência de verdade, pois não segue os métodos científicos, mas eles se esforçam para fazer parecer que é. A ideia de que há um designer inteligente e sobrenatural atuando sobre o universo é defendida em várias teorias, nem sempre coesas e coerentes entre elas, por cientistas como o bioquímico Michael J. Behe, da Lehigh University, e o biologista molecular Jonathan Wells, do Instituto Discovery para Ciência e Cultura. Um dos argumentos "científicos" usados pelo design inteligente é o da complexidade irredutível. Segundo Behe, existem estruturas biológicas que não poderiam ter evoluído de um estado mais simples. Elas seriam irredutivelmente complexas e portanto seria impossível que pudessem ter "evoluído" a partir de estruturas menos complexas, pois essas não teriam condições de existir. Para os cientistas, por não ser um método empírico, o design inteligente não é ciência e sim filosofia.

A tribo dos Krippendorf

Tribo Tasaday
Reprodução / www.tasaday.com
Tasaday tentando descobrir o fogo no século 20
James Krippendorf é um fictício professor de antropologia vivido por Richard Dreyfuss no filme  "A Tribo dos Krippendorf" (1998). Na película, ele fantasia sua família como habitantes primitivos de uma tribo da Nova Guiné, para justificar a verba que recebeu do governo para suas pesquisas. Isso foi mais ou menos o que o governo filipino fez nos anos 70 e que acabou levando na conversa (mais uma vez) a National Geographic e a BBC, entre outras. Segundo foi noticiado na época, uma comunidade "perdida", chamada de tribo Tasaday, havia sido encontrada nas Filipinas. Seus habitantes viviam como na Idade da Pedra, com hábitos e comportamentos pré-históricos, na ilha de Mindanao. Atropólogos fizeram expedições para conhecer o misterioso povo Tasaday, que estaria isolado há pelo menos dois mil anos e não conhecia a agricultura. Detalhes de sua cultura, como a alimentação, seus rituais e sua linguagem, foram revelados ao mundo. A tribo Tasaday ficou famosa, com visitantes e pesquisadores ilustres querendo conhecê-la e reportagens e documentários contando sua fantástica história para o mundo. O problema é que a tribo foi uma invenção do governo filipino, então sob a tirania de Ferdinand Marcos. Somente após a queda de Marcos, em 1986, foi possível descobrir que a tribo era uma farsa. Sem as restrições governamentais, os antropólogos puderam verificar que os pré-históricos Tasaday não moravam em cavernas e usavam jeans e camisetas enquanto não estavam fingindo ser homens da Idade da Pedra. 

Bebês-coelhos

Coelho
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No século 18, os médicos reais eram muito respeitados e considerados homens da ciência. Por isso, quando um dos médicos do Rei George, da Inglaterra, narrou o caso da mulher que deu a luz a 16 coelhinhos as pessoas não só acreditaram como ficaram estupefatas com o acontecimento. A mulher em questão era Mary Toft que ficou grávida em 1726 e logo sofreu um aborto. Só que Mary tinha fascinação por coelhos e alegou que tinha dado a luz a 16 desses bichinhos. Vários cirurgiões foram chamados para analisar o caso, inclusive vários médicos da realeza britânica. À medida que cada um confirmava a história dela, o ceticismo do rei cedia e Mary acabou indo para Londres para ter seu caso mais profundamente analisado pelos cientistas. Mas a mamãe coelha não resistiu muito tempo e logo confessou a farsa. Ela acabou presa por fraude e a comunidade médica britânica perdeu boa parte de sua credibilidade.

O gigante de Cardiff

Gigante de Cardiff
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Será que era o Golias?
O gigante de Cardiff é a típica fraude que logo é desmascarada pela ciência mas que, mesmo assim, permanece como uma "verdade" para boa parte da população. Em outubro de 1869, um fazendeiro da região de Cardiff, no Estado de Nova York (EUA), alegou ter descoberto em suas terras o "fóssil" de um homem gigante de cerca de três metros de altura petrificado. Muitos religiosos acreditavam ser esta a prova de que nos tempos pré-diluvianos esses gigantes existiram de fato, como na narrativa bíblica de Davi e Golias. Os cientistas logo constataram que tratava-se de uma peça esculpida em gesso e enterrada no local alguns anos antes. Mas isso não impediu que as pessoas de várias partes viajassem até Nova York e pagassem ingresso para ver o gigante de Cardiff, uma "prova verdadeira" dos relatos bíblicos.  

O homem de Piltdown

Maiores fraudes da ciência
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Ele definitivamente não era o elo perdido
Este foi o maior e mais duradouro embuste da história da ciência moderna. No começo do século 20, o geólogo britânico Charles Dawnson teria encontrado o elo perdido, a prova definitiva da Teoria da Evolução, de Charles Darwin. Mas a paleontologia e a antropologia são os campos científicos onde as fraudes mais prosperaram e este é o maior exemplo. Em 1912, Dawson apresentou à comunidade científica um crânio que ele teria encontrado em uma mina de cascalho em Piltdown, na Inglaterra. O fóssil revelava uma espécie desconhecida na evolução humana e preenchia exatamente o elo evolutivo entre os macacos e o homem. Somente quatro décadas após a descoberta, a fraude foi revelada. O avanço tecnológico permitiu identificar que o fóssil do "homem de Piltdown" era o resultado da junção de um crânio humano com a mandíbula de um orangotango. Não se sabe se o crânio fraudulento foi preparado pelo próprio Dawson, que morreu em 1916, ou se ele apenas o encontrou e também foi enganado pela armação

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

10 expressões populares animais

Uma fotografia hoje é produzida em milésimos de segundos, até mesmo pelos mais simples telefones celulares. Mas há mais de um século quando essa arte surgiu, os equipamentos fotográficos demoravam alguns minutos para fixar a imagem no filme. Nos retratos individuais ou de grupos de pessoas havia a necessidade delas posarem paradas durante esse tempo e quando tinham crianças envolvidas a dificuldade era ainda maior, pois havia a necessidade de prender a atenção delas e mantê-las olhando em direção à câmera.
Expressões populares
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Para fazer isso, os fotógrafos recorriam a um inusitado expediente: colocavam uma gaiola com passarinhos ao lado da câmera e na hora de fotografar soltavam a frase: "olha o passarinho". A expressão se popularizou e continua a ser usada para chamar a atenção das pessoas.

A vaca foi pro brejo

Expressões populares
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Normalmente em tempos de estiagem, as vacas saem em busca de água e podem entrar em áreas pantanosas, o que as leva muitas vezes a acabarem presas no lodo. Esse fato pode ocorrer também fora de épocas de secas, em regiões com muitas áreas alagadas. Atoladas, elas começam a afundar, não conseguem sair e acabam morrendo afogadas ou por inanição. Somente com a ajuda humana é possível tirar o animal dessa situação. Para os criadores de gado, a vaca ir para o brejo representa prejuízo certo. Assim, quando as coisas não dão certo ou quando algo ruim acontece popularizou-se usar a expressão "a vaca foi pro brejo".

Fazer uma vaquinha

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Normalmente quando um time de futebol profissional vence um jogo importante, seus jogadores acabam recebendo uma premiação em dinheiro, o "bicho". Na origem dessa prática está o surgimento de outra expressão popular: "fazer uma vaquinha". Tudo começou nos anos 1920, no Rio de Janeiro, quando a torcida doVasco da Gama resolveu estimular os jogadores a vencerem os jogos. Para isso, estabeleceu um incentivo monetário baseado nos números do jogo do bicho. O número cinco, do cachorro, representava cinco mil réis de premiação por um empate. O dez, do coelho, dez mil réis por uma vitória comum. E o 25, da vaca, 25 mil réis por uma vitória em jogos decisivos. Assim, a arrecadação do dinheiro do "bicho" dos jogadores pelos torcedores ficou conhecida como "fazer uma vaquinha". 

Afogar o ganso

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Você pode achar que essa expressão é só uma forma mais engraçada de referir-se ao ato sexual, do ponto de vista masculino. Mas há versões populares que atribuem a origem do termo a um costume na China em que os homens mantinham relações sexuais com gansos e antes da ejaculação afogavam a ave para que ela tivesse mais contrações. Já a versão criada por Mário Prata, no livro "Mas Será o Benedito?", diz que a expressão foi um eufemismo usado por Dom Pedro 1.º em suas cartas para a Marquesa de Santos para referir-se às relações sexuais dos dois, driblando a censura imposta a essas correspondências pelo pai de Dom Pedro.

Lavar a égua

Expressões populares
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Tomar banho de champanhe após vencer uma corrida não é um costume que começou com os pilotos da Fórmula 1. Bem antes disso, quando uma égua vencia um páreo numa corrida de cavalos o bichinho já era saudado com um banho de espumante. Essa regalia era exclusiva da égua, já que seu semelhante do sexo masculino não recebia o mesmo tratamento. Assim, a prática dos donos do equino vencedor simbolizava que eles haviam ganhado uma boa grana de premiação e, por conta disso, a expressão "lavar a égua" popularizou-se como sinônimo de ganhar bastante dinheiro. 

Tirar o cavalo da chuva

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Há algumas versões ligeiramente diferentes para a origem dessa expressão. Para boa parte dos  pesquisadores ela surgiu de um costume da época em que o cavalo era o principal meio de transporte no interior do país. Naqueles tempos, quando alguém ia fazer uma breve visita a um parente, amigo ou vizinho, normalmente "estacionava" seu cavalo em  frente à casa em uma área descoberta. No entanto, se a conversa se alongava mais do que o esperado era comum o anfitrião falar para o visitante ir "tirar o cavalo da chuva", isto é, abrigá-lo em um local protegido, pois a visita iria demorar mais do que o imaginado. Com o passar do tempo, a expressão caiu no gosto popular. "Tirar o cavalo da chuva" significa desistir de algo, perder as esperanças ou a indicação de que alguma coisa vai demorar mais do que o previsto.

Lágrimas de crocodilo

Crocodilo
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Elas realmente existem e surgem quando o crocodilopassa muito tempo fora da água, fazendo com que suas glândulas produzam uma secreção lacrimal para lubrificar seus olhos. Elas também podem aparecer quando no ato de mastigar sua presa o animal pressiona as glândulas lacrimais. Em ambos os casos, as lágrimas de crocodilo são o resultado de um processo biológico e não têm nada a ver com uma possível tristeza que o réptil estaria "sentindo" naquele momento. Com o passar dos anos, a sabedoria popular consagrou a expressão "lágrimas de crocodilo" como sinônimo de todo choro que parece fingido ou hipócrita.

Dar com os burros na água

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Credita-se a expressão à moral de um conto que remete a um fato comum na época colonial no Brasil: o uso dos burros para o transporte de cargas. O conto popular narra a disputa entre dois tropeiros para ver quem chegava primeiro a um destino. Um deles deveria usar o burro para transportar sal, enquanto o outro transportaria algodão com o animal. Só que no meio do caminho havia um rio e ao tentarem atravessá-lo, ambos perderam as cargas - o sal dissolveu-se e o algodão encharcou - e eles não conseguiram concluir a missão. Por conta disso,  quando alguém é mal-sucedido em seus objetivos, usa-se a expressão "dar com os burros n'água". 

A cavalo dado não se olham os dentes

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Sua mãe provavelmente ensinou a nunca desdenhar daquilo que você recebe de presente. Se um dia você ganhar um cavalo, por exemplo, nunca olhe a arcada dentária do animal na frente de quem te deu. Isso por que os dentes do cavalo não nascem de uma vez, sendo que os últimos só surgem no quarto ou quinto ano de vida do animal. Assim, olhar os dentes dele significa verificar qual a idade do equino, o que pode ser bastante deselegante. Na satírica visão de Mário Prata, no livro "Será o Benedito?", a expressão popular no entanto tem raiz histórica na avareza da família real portuguesa. Ao chegar ao Brasil, fugindo das tropas de Napoleão, Dom João 6.º teria usado cavalos em péssimo estado como moeda de troca. E a quem reclamava ele usava a expressão "a cavalo dado não se olham os dentes".

Pagar o pato

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Há pelo menos duas versões interessantes para a expressão que significa que alguém está arcando com as consequências da ação de outra pessoa. Uma delas está na coletânea de anedotas e provérbios "Facetiae", do escritor italiano Giovanni Bracciolini, publicada em 1450. Numa das historinhas narradas por Brancciolini, uma mulher casada interessada em comprar um pato de um vendedor ambulante propõe pagar pelo animal com favores sexuais. No entanto, enquanto ela e o vendedor discutem se a quantidade de sexo feita já era suficiente para quitar a dívida, chega o marido, que ludibriado pela esposa, acaba pagando o pato em dinheiro. Outra versão para a origem da expressão remete a uma antiga brincadeira que existia em Portugal. Nela amarrava-se um pato a um poste e os competidores deveriam tentar a cavalo pegar o animal soltando suas amarras em um só golpe. Quem perdia, pagava pelo pato sacrificado.