quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tricerátopo

Período: Cretáceo Tardio (em inglês).
Ordem, subordem, família: Ornithischia, Marginocephalia, Ceratopsidae.
Localização: América do Norte (Canadá, Estados Unidos).
Comprimento: 9 metros.
A herd of Triceratops
Academia de Ciências de Chicago
Rebanho de tricerátopos em pântano de ciprestes
O tricerátopo é um dos mais espetaculares dinossauros. Esse imenso animal, com seus chifres longos e pontudos na testa e seu folho (escudo ósseo) curvo no pescoço, foi um dos últimos grandes dinossauros a caminhar pela Terra. Viveu até o fim do período cretáceo e era o maior dos ceratópsios.
O primeiro espécime de tricerátopo encontrado era composto por apenas um conjunto de chifres na testa. Quando Othniel Marsh examinou os chifres em 1887, acreditava que proviessem de um bisonte extinto, por isso, deu ao espécime o nome de Bison alticornis. Marsh não sabia que existiam dinossauros dotados de chifres. Dois anos mais tarde, um crânio quase completo foi recolhido no Wyoming e Marsh rapidamente percebeu seu erro. O novo crânio recebeu o nome Triceratops horridus, em 1889, e o nome do espécime considerado como "bisonte" foi mudado para Triceratops alticornis. Ao longo dos oito anos seguintes, Marsh acrescentou oito outras espécies ao genus.
Espécimes de tricerátopos são comuns e muitos deles integram coleções. O paleontologista John Bell Hatcher recolheu mais de 30 crânios apenas em uma área do Wyoming. Tantos espécimes de tricerátopos foram encontrados que ninguém sabe exatamente o número recolhido. Apesar disso, nunca foi encontrado um esqueleto completo de tricerátopo.
Triceratops
Museu Canadense da Natureza
tricerátopo viveu até o fim do período cretáceo
Ainda que paleontologistas tenham nomeado grande número de espécies de tricerátopos, a maioria delas provavelmente não existe. Apesar de todas essas "espécies" diferirem uma das outras em pequenos detalhes, os paleontologistas sabem que pequenas diferenças são comuns. Todas as espécies de tricerátopos conhecidas provavelmente se enquadram em uma ou duas espécies. 
O corpo do tricerátopo era imenso, com uma caixa torácica grande e uma cauda curta. Excetuado seu grande tamanho, ele provavelmente era parecido com os demais ceratópsios de grande porte. Não devia ser um animal veloz, pois tinha ossos pesados nos membros, sendo os dianteiros mais curtos que os traseiros. Provavelmente, se defendia mais com a força do que com a velocidade.
Ainda que o nome tricerátopo queira dizer "cabeça com três chifres", nem todos os espécimes tinham três. O chifre nasal, em muitos casos, era muito curto ou quase ausente. Os dois chifres da testa, no topo do crânio, sobre cada um dos olhos, eram grandes e bem desenvolvidos em todos os espécimes (os chifres do crânio tinham cobertura óssea). A base desses chifres era oca e eles se abriam para um largo espaço, conhecido como sinus, sobre a caixa craniana. Alguns animais modernos, como vacas, cabritos e carneiros, também têm sinus no alto de seus crânios. Eles agem como amortecedores de choques, em combate, e oferecem proteção ao cérebro. 
Alguns espécimes de tricerátopos mostram ferimentos curados em seus crânios ou folhos, demonstrando que exemplares da espécie lutavam entre si. Podem ter lutado por fêmeas, território ou liderança. Também é provável que os longos e fortes chifres dos tricerátopos fossem usados como armas contra predadores como o tiranossauro.
O folho do tricerátopo era diferente do de todos os demais ceratópsios: largo e arredondado, com o osso espesso e sem fenestras (aberturas). Traços de vasos sangüíneos estavam presentes no folho e no crânio. Esses vasos sangüíneos provavelmente forneciam sangue à pele e aos ossos. Alguns paleontologistas acreditam que o amplo folho, com seu grande suprimento de sangue, pode ter ajudado a aquecer ou a resfriar o animal. O sangue fluindo perto da superfície poderia ter expelido calor, caso o ar estivesse frio ou absorvido calor caso o ar estivesse quente. O tricerátopo podia voltar seu folho em direção ao sol a fim de se aquecer ou liberar calor à sombra, caso estivesse quente demais. Os elefantes modernos regulam sua temperatura corporal dessa maneira, usando suas grandes orelhas.
Como os chifres, o folho sólido pode ter sido usado para proteger o tricerátopo contra predadores ou outros tricerátopos. O folho também podia servir como blefe; o tricerátopo podia baixar a cabeça e apontar os chifres da testa contra outro animal, fazendo o folho se erguer. Isso faria com que o tricerátopo parecesse maior. O folho também podia servir para fins de acasalamento.
Por muitos anos, os paleontologistas acreditavam que os parentes mais próximos do tricerátopo fossem os ceratópsios centrossaurinos (ou "de folho curto"), como o centrossauro ou o styracossauro. Isso acontecia porque o folho do tricerátopo era relativamente curto, bem mais que o dos ceratópsios chasmossaurinos ("de folho longo"), como o chasmossauro e o torossauro. No entanto, todas as demais características do crânio dos chasmossaurinos, como chifres longos na testa, chifre curto no nariz e focinho longo com dupla abertura no nariz se assemelhavam às do tricerátopo, por isso ele é hoje considerado como um chasmossaurino.
O tricerátopo tinha um bico muito longo e poderoso. Cada mandíbula apresentava muitos dentes com grande superfície de mastigação. Com o bico em forma de tesoura e os dentes mastigadores, o tricerátopo conseguia arrancar e mastigar até mesmo as plantas mais duras. Como seu bico era estreito e pontudo, ele provavelmente mordia plantas com a lateral do bico. Bochechas musculosas retinham os alimentos na boca enquanto ele mastigava. 
O tricerátopo tinha um cérebro pequeno. A relação entre cérebro e tamanho do corpo é menor nele do que em dinossauros bípedes, como os carnívoros e os dotados de bicos. Ainda que o tricerátopo talvez não fosse o mais inteligente dos dinossauros, era um dos mais abundantes no período cretáceo tardio. Assim, apesar do tamanho do cérebro, era um animal bem sucedido.
O mundo em que o tricerátopo vivia parecia bastante moderno. A paisagem apresentava folhas e árvores semelhantes às de hoje. Entre os animais que viveram na mesma época que o tricerátopo estão o tiranossauro, otescelosasuro, o torossauro, o leptocerátopo, o anquilossauro e oornitomimo.

Troodonte

Período: Cretáceo Tardio (em inglês).
Ordem, subordem, família: Saurischia, Theropoda, Troodontidae.
Localização: América do Norte (Canadá, Estados Unidos).
Comprimento: 2,4 metros.

Troodon

Museu Canadense da Natureza
Troodon formosus 
O troodonte foi descrito em 1856 por Joseph Leidy, com base em um único e pequeno dente. Foi um dos primeiros dinossauros norte-americanos a serem descritos. No entanto, o dente foi inicialmente identificado como pertencente a um lagarto. Apenas em 1901 foi constatado que se tratava de um dente de dinossauro.
Nos primeiros dias da paleontologia, era comum nomear um dinossauro com base apenas em dentes, mas esses nomes eram freqüentemente descartados quando os cientistas não conseguiam identificar a que dinossauro um dente pertencia mesmo que houvesse um crânio completo com dentes para comparação. Apesar disso, o nome troodonte foi mantido porque o dente era bastante incomum.
O troodonte foi classificado como parte da família dos troodontídeos em 1948. Depois, em 1983, Jack Horner encontrou a mandíbula inferior de um pequeno terópode com o mesmo tipo de dente. Essa mandíbula provou que o troodonte era um terópode. Também foi descoberto que nem todos os dentes do troodonte se assemelhavam - a forma do dente dependia de sua posição na mandíbula. Essa mandíbula mostrava também que o animal conhecido como estenicossauro era, na verdade, o troodonte. Um parente próximo do troodonte é o saurornitóide.
Atualmente, o troodonte é conhecido com base em diversos crânios eesqueletos parciais. Esses crânios demonstram que ele tinha um cérebro grande para o seu tamanho e, provavelmente, o mais desenvolvido entre os dinossauros. Seus olhos eram grandes e ocupavam grande parte do crânio. Cada lado da mandíbula inferior tinha 35 dentes - mais do que em qualquer outro terópode.
As mãos tinham dedos finos e o dedo interior terminava em uma grande e fina garra muito aguçada. O pé se assemelhava ao dos dromeossaurídeos, com uma grande garra no segundo dedo. A garra era usada para atacar presas e rasgar suas peles, no entanto, ficava em posição mais alta no pé e era menor que a garra de um dromeossaurídeo. A garra no primeiro dedo da mão do troodonte era bem maior que a maior garra de seu pé. Também como os dromeossaurídeos, a parte posterior da cauda era rígida. Os dromeossaurídeos podem ter sido ancestrais dos troodontídeos.

Tuojiangossauro

Período: Jurássico Tardio.
Ordem, subordem, família: Ornithischia, Thyreophora, Stegosauridae.
Localização: Ásia (República Popular da China).
Comprimento: 6 metros.
Tuojiangosaurus multispinus
Brian Franczak
Tuojiangosaurus multispinus
Imagine-se no período jurássico tardio. As margens de uma lenta correnteza abrigam densa vegetação rasteira assemelhada a samambaias, e araucárias altas podem ser vistas ao fundo. Um bando de pterossauros barulhentos passa voando. Um som distante de passos lentos e pesados vai se intensificando. Um animal robusto, do porte de um rinoceronte, com uma combinação colorida de placas e esporões em seu dorso se aproxima. A intervalos de alguns segundos, ele arranca e saboreia uma suculenta cicádea ou samambaia com o seu bico ósseo pontudo, e continua a caminhar, esmagando outras plantas. Sua cabeça está próxima ao chão, onde a vegetação mais espessa se concentra. Para um corpo assim grande, com peso superior a 1.100 quilos, é uma cabeça pequena. O dorso se curva por sobre quadris que ficam em altura superior à de um homem. Muitas placas triangulares duplas e coloridas dão a impressão de que a curvatura do perfil do animal é ainda maior. No fim de sua cauda, pode-se ver quatro esporões afiados.
A vida lenta e pacífica do tuojiangossauro era ocasionalmente interrompida por batalhas com predadores como o yangchuanossauro ou o szechuanossauro. O animal também lutava contra outros tuojiangossauros para conquistar fêmeas. 
Estegossauros como o tuojiangossauro talvez não saíssem do ovo portando esporões ósseos e placas. A blindagem possivelmente se desenvolvia lentamente e passava a crescer mais rápido quando o animal atingia a maturidade. Diferentes gêneros e espécies provavelmente ofereciam arranjos distintos de placas e esporões. Isso pode ter ajudado animais de uma mesma espécie a se reconhecerem.
O Tuojiangosaurus multispinus provavelmente dispunha de 17 pares de placas estreitas, espessas e pontudas. Os dois últimos pares eram os esporões cônicos da cauda. As placas eram baixas e bulbosas no pescoço e aumentavam de altura ao longo do dorso e no caminho dos quadris, voltando a encurtar na cauda. Também havia um grande esporão sobre cada ombro.
Os fósseis de dois tuojiangossauros foram descobertos na metade dos anos 70 em escavações em Wujiaba, na Formação Shangshaximiao, perto do Tuojiang, um rio da bacia de Sichuan. Um animal, o primeiro esqueleto de estegossauro quase completo a ser encontrado na China, foi montado no começo de 1977. O outro espécime é apenas um conjunto de cinco vértebras. O esqueleto de um terceiro animal foi descoberto posteriormente mas ainda não foi preparado. 
Os dinossauros herbívoros da mesma era do tuojiangossauro incluíam seus primos chialingossauro e chunkingossauro, ambos também estegossauros; os saurópodes omeissauro e mamenchissauro; e os pequenos ornitópodes gongbussauro e yandussauro.

Ultrassauro

Período: Jurássico Tardio.
Ordem, subordem, família: Saurischia, Sauropodomorpha, Brachiosauridae.
Localização: América do Norte (Estados Unidos).
Comprimento: 27 metros.
O ultrassauro era enorme, o que lhe valeu seu nome: "ultra réptil". Talvez seja o maior dinossauro conhecido. Um ultrassauro poderia olhar sem esforço pela janela do quinto ou do sexto andar de um edifício. Caminhando em fila, apenas dois ou três deles caberiam em um quarteirão.
Como o superssauro, que vem da escavação de Dry Mesa, no sul do Colorado, o ultrassauro é conhecido com base em apenas um osso - uma vértebra da região das costelas. Outros ossos no local de escavação podem pertencer ao ultrassauro, mas os cientistas ainda não têm certeza disso. Os demais ossos são uma parte do ombro (o processo coracóide da escápula), uma vértebra do pescoço e diversas vértebras da cauda. 
O processo coracóide da escápula tinha cerca de 2,70 metros, era um pouco maior do que ossos semelhantes no superssauro e se assemelha bastante aos ossos dos ombros dos braquiossauros. Além disso, a vértebra da região das costelas também se assemelha à dos braquiossauros, embora possa ter sido maior. O ultrassauro pertence à mesma família do braquiossauro e a forma de seu corpo se assemelha mais à do braquiossauro que à de outros saurópodes.
O imenso e forte pescoço do ultrassauro talvez ficassem 18 metros acima do chão. As proporções do animal se assemelhavam às de uma girafa. Suas patas dianteiras eram mais altas que as traseiras, e a massa principal do corpo ficava à frente. A cauda era pequena e curta, comparada às dos diplódocos. O comprimento do ultrassauro provavelmente se aproximava dos 27 metros, quase tão grande quanto o do superssauro. No entanto, como se tratava de um braquiossauro de corpo pesado, ele tinha peso duas vezes superior ao de outros saurópodes gigantes. 
Como todos os saurópodes, o ultrassauro era herbívoro. Comia folhas e frutos de coníferas e de samambaias, bem como qualquer outra planta que conseguisse alcançar. O ultrassauro se alimentava quase constantemente, e provavelmente estava sempre em movimento à procura de comida. Rebanhos de ultrassauros devem ter devastado todas as florestas em que entravam.
O principal inimigo do ultrassauro era o alossauro (um predador de duas toneladas) e seus parentes (como o ceratossauro, por exemplo), que não eram capazes de enfrentar sozinhos esses gigantes de 80 toneladas. No entanto, matilhas de alossauros podem ter seguido os rebanhos, atacando animais isolados ou bebês, ou esperando a queda de um animal doente. Como os elefantes de hoje, no entanto, um ultrassauro adulto e saudável raramente era incomodado por predadores. 
Até que mais ossos sejam escavados e identificados positivamente como parte do ultrassauro, em Dry Mesa, esse saurópode pouco conhecido continuará sendo um enigma para os cientistas. 

Velociraptor

Período: Cretáceo Tardio (em inglês).
Ordem, subordem, família: Saurischia, Theropoda, Dromaeosauridae.
Localização: Ásia (Mongólia).
Comprimento: 1,8 metro.

Velociraptor Mongoliensis
James Reece © Australian Museum
Velociraptor Mongoliensis
A mais espantosa descoberta feita na Mongólia pode ter sido a de esqueletos do Velociraptor (ou "ladrão veloz"), um terópode de pequeno porte, com seu braço direito firmemente preso no bico do pequeno ceratópsio protocerátopo. Ambos os esqueletos estão completos. Representam uma imagem da luta pela vida que caracterizava o período cretáceo tardio. Pouco depois de morrerem, os animais foram soterrados pela areia de uma duna. Ficaram unidos nessa posição até 1971, quando os restos foram localizados.
Em 1923, o primeiro espécime do velociraptor foi encontrado pelo Museu Americano de História Natural. O fóssil provinha da formação Djadoktha, no deserto de Gobi, que abriga pedras arenosas do período cretáceo tardio. O fóssil também foi encontrado ao lado de um crânio de protocerátopo.
O velociraptor era um pequeno terópode, com grandes garras em forma de foice no segundo dedo do pé. Tinha um focinho longo e largo, diferente de outros membros de sua família. As mandíbulas contavam com fileiras de dentes serrilhados para dilacerar carne. O animal engolia os alimentos em porções, em vez de mastigá-los como a maioria dos terópodes. Os braços eram longos, e seu peito e músculos dos braços eram fortes. O velociraptor era parecido com o arqueopterix, um pássaro primitivo, especialmente na pélvis. Alguns paleontologistas sugeriram que o velociraptor talvez tivesse penas, mas não existem provas dessa teoria.
Como o espécime foi encontrado ao lado de um protocerátopo, é possível que se alimentasse desse pequeno ceratópsio, mas pode ter caçado presas ainda maiores. Sua dieta também incluía pequenos animais, como lagartos. 
Outro traço dos dromeossaurídeos que pode ser claramente visto no espécime encontrado em Gobi são os longos ossos nas laterais dos ossos da cauda, que serviam para enrijecê-la. Isso permitia que a cauda funcionasse como contrapeso quando o animal caminhava e corria. A cauda, porém, continuava flexível, especialmente no ponto em que se fixava aos quadris. O esqueleto completo do animal envolvido na "luta mortal" ainda não foi descrito, mas certamente revelará novos e interessantes fatos sobre esse genus fascinante.