quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O comportamento do tiranossauro rex

Introdução ao comportamento do tiranossauro rex

O tiranossauro rex reinava sobre os demais animais terrestres de sua época
© istockphoto.com / Christoph Ermel
O tiranossauro rex reinava sobre os demais animais terrestres de sua época
Em um dia típico do final do período cretáceo, mais de 65 milhões de anos atrás, uma batalha sangrenta está em curso à margem de um rio raso no que hoje é o Dakota do Sul. Dois gigantescos dinossauros da espécietiranossauro rex, os maiores e mais temíveis predadores da era, estão se atacando com choques de mandíbulas e chutes aplicados por pernas traseiras do tamanho de árvores. Por fim, um T. rex ganha vantagem e comprime as mandíbulas em torno da cabeça do outro combatente. Nem mesmo o crânio espesso e os poderosos músculos da vítima são capazes de resistir à potência da mordida esmagadora que se segue. O dinossauro vencido uiva em agonia e cai morto. O vencedor cambaleia para a densa floresta à margem do rio, deixando a carcaça dilacerada de seu adversário para apodrecer à beira do rio.
Ainda que a carne do tiranossauro logo se decomponha, seu esqueleto fica coberto por sedimento, camadas de areia, lama e partículas minerais finas depositadas pelo rio. Ao longo de milhões de anos, essas camadas são comprimidas por obra de novos depósitos sedimentares, e logo se tornam pedra. Ao longo do processo, vaza água para os ossos porosos, e isso deposita minerais que fazem deles fósseis. Com o tempo, o clima muda. O rio seca, e a floresta se torna pradaria. Por fim, vento, chuva e inundaçõesremovem a terra e criam uma planície árida. E a erosão incansável termina por revelar o esqueleto fossilizado do T. rex. 
Ainda que esse cenário seja imaginário, pode estar perto da realidade. Em 1990, a amadora caçadora de fósseis Susan Hendrickson, trabalhando no Dakota do Sul, descobriu os ossos preservados de um T. rex que pode ter morrido em uma batalha como a descrita e passado por fossilização também semelhante. Escavações por uma equipe do Instituto de Pesquisa Geológica  Black Hills, de Hill City, Dakota do Sul, logo revelaram restos bem preservados de um tiranossauro, com feridas na cabeça que podem ter resultado de um combate mortal. O fóssil, apelidado de Sue logo que foi descoberto, era o mais completo fóssil de T. rex já localizado, com cerca de 90% dos ossos presentes. Em 1997, o Museu Field de História Natural, de Chicago, adquiriu o fóssil de Hendrickson e em maio de 2000 o esqueleto reconstruído estava em exibição no museu. 
Enquanto os paleontologistas (especialistas em estudar animais do passado) do museu limpavam as rochas do esqueleto e preparavam os ossos para exposição, pesquisadores em outros locais estudavam os restos do T. rex para aprender mais sobre essas impressionantes criaturas. Eles estudaram cicatrizes de mordidas nos restos fossilizados de presas do T. rex e o conteúdo de fezes fossilizadas de tiranossauros (resíduos corpóreos sólidos). Os pesquisadores também empregaram dispositivos sofisticados de imagem para aprender mais sobre a anatomia dos dinossauros. E voltaram ao local de escavação para descobrir pistas sobre como vivia o T. rex. Ainda que restassem questões sobre isso em 2000, os esforços combinados de muitos investigadores já haviam levado a uma melhor compreensão sobre esses monstros do mundo pré-histórico.  

As primeiras pistas sobre um monstro do passado

O nome tiranossauro rex quer dizer "rei lagarto tirano", e não há dúvida de que essas criaturas reinavam sobre os demais animais terrestres da época. Hoje, 65 milhões de anos depois de sua extinção, são ainda um dos animais mais conhecidos do mundo, vivos ou extintos - uma besta feroz que capturou a fascinação do público por meio de incontáveis exibições em museus, reportagens, filmes e livros. 
A pesquisa científica sobre o T. rex, bem como a fascinação popular com ele, começou em 1902, quando o paleontologista Barnum Brown, do Museu Americano de História Natural, em Nova York, liderou uma expedição de busca de fósseis ao condado de Dawson, Montana. Em um patamar rochoso, Brown e sua equipe descobriram e escavaram um esqueleto parcial de um grande e desconhecido dinossauro. A equipe de Brown retornou em busca de novos materiais em 1903, e uma vez mais em 1905. No total, eles conseguiram recuperar a mandíbula inferior, partes do crânio, a espinha, o ombro, a pélvis, as patas traseiras e outros fragmentos do dinossauro em questão. Mas não conseguiram encontrar as patas dianteiras ou os ossos do pescoço do animal.
Estudos de restos fósseis do T. rex nos dão pistas de como viveram esses animais
© istockphoto.com / David Coder
Estudos de restos fósseis do T. rex nos dão pistas de como viveram esses animais

O chefe de Brown no Museu Americano, o paleontologista Henry Osborn, publicou a primeira descrição científica do dinossauro, e escolheu o nome tiranossauro rex. O fóssil de Brown se tornou o espécime de comparação para os tiranossauros, usado como base de descrição da espécie. Em 1906, Osborn determinou que outro espécime parcial localizado por Brown em 1900 também era um T. rex. Depois, em 1908, Brown e outros colegas escavaram um tiranossauro mais completo no condado de Dawson. Ainda que o Museu Americano pretendesse inicialmente preparar e exibir os dois esqueletos, vendeu o primeiro ao Museu Carnegie de História Natural, de Pittsburgh, Pensilvânia, onde ele continuava em exibição em 2000. 
Quando Brown e Osborn começaram a estudar o T. rex, o campo da paleontologia e o da geologia ainda estavam na infância. Osborn e seus contemporâneos sabiam que os dinossauros eram répteis mas não lagartos, como os cientistas os haviam descrito inicialmente no começo do século 19 (por tradição, porém, os paleontologistas continuam a usar o sufixo "sauro", ou lagarto em latim, para designar novos dinossauros). Mas Osborn fez alguns julgamentos incorretos ao avaliar a espécie recém-descoberta, que precisaram ser revisados posteriormente. Por exemplo, a idade que estimou para os espécimes de T. rex era de três a quatro milhões de anos, ou seja, mais de 60 milhões de anos incorreta. Nas décadas que se seguiram às descobertas originais, os cientistas aprenderam muito mais sobre a idade daTerra e a anatomia do T. rex e de outros dinossauros. 

Quando viveram os dinossauros

Os paleontologistas sabem hoje, por exemplo, que os dinossauros viveram pela maioria da era mesozóica (entre 248 milhões e 65 milhões de anos atrás), que os cientistas dividem em três períodos. Os dinossauros apareceram inicialmente cerca de 230 milhões de anos atrás, no período triássico (que se estendeu de 248 milhões a 213 milhões de anos atrás). Os maiores dinossauros que existiram, como o herbívoro braquiossauro, viveram no período jurássico (de 213 milhões a 145 milhões de anos atrás). O T. rex não apareceu antes da parte final do período cretáceo (de 145 milhões a 68 milhões de anos atrás), e era o maior dos membros de uma família de dinossauros carnívoros conhecida como tiranossaurídeos. O T. rex e seus parentes morreram junto com os demais dinossauros que existiram no planeta. 
Os palentologistas e geólogos também aprenderam que o mundo no qual o T. rex vivia era muito diferente do atual. Ao longo da maior parte do cretáceo, uma longa via marítima que se estendia do Ártico ao Golfo do México dividia o continente da América do Norte. A largura desse mar variava com as alterações no nível mundial da água marinha. Durante o reinado dotiranossauro, o mar se estendia a oeste até os limites ocidentais do atual Dakota do Sul, e a leste ele se estendia até o atual Wisconsin.  A região na qual o T. rex vivia, ao longo da costa oeste deste mar, era luxuriante e florestal, com pinheiros, acácias, bordos e plantas florescentes. E os dinossauros não eram os únicos moradores da região. As comunidades ribeirinhas e fluviais incluíam ampla variedade de peixes, anfíbios, lagartos, crocodilos e cobras. Pequenos mamíferos herbívoros compartilhavam da floresta com os dinossauros. 
Ao longo de décadas de escavações, os paleontologistas aprenderam muito sobre as características do T. rex. Por volta de 2000, os pesquisadores haviam descoberto restos de cerca de 40 tiranossauros, que variavam de espécimes juvenis a adultos. Cerca de 20 dos espécimes estavam bastante completos, e o maior deles excedia os 12 metros de comprimento. Como resultado dessas descobertas, o T. rex se tornou uma das espécies de dinossauros mais bem documentadas e conhecidas. 
Boa parte de nosso conhecimento sobre tiranossauros deriva do estudo de seus crânios, que tem até 1,5 metro de comprimento. As mandíbulas inferior e superior do T. rex ainda contêm os dentes grandes e pontiagudos que faziam dele um matador tão poderoso. Os dentes do T. rex, que são serrilhados nas extremidades mais ou menos como uma faca de pão, podiam exceder os 30 centímetros de comprimento. Mais de metade desse comprimento consistia das raízes, ancoradas a uma mandíbula maciça, o que dava grande força aos dentes. As características tornaram claro para os paleontologistas já desde o primeiro exame que o T. rex havia sido um dinossauro formidável.

Criando uma imagem mais clara do T. rex

Alguns aspectos do tiranossauro não eram tão óbvios, porém. Por exemplo, os primeiros paleontologistas não estavam seguros de como o T. rex se movimentava. As primeiras reconstruções de esqueletos do T. rex  o mostravam caminhando ereto e com a cauda apoiada no chão. Da mesma forma, as imagens em livros e nos museus mostravam as criaturas como ferozes, mas corpulentas e não muito ágeis. Por volta dos anos 70, porém, os paleontologistas haviam determinado, com base na forma e posição da pélvis e ossos das pernas do T. rex, que ele se movia com o corpo paralelo ao solo. O animal mantinha sua longa cauda erguida para contrabalançar o peso de sua imensa cabeça.
Outras pistas quanto à forma pela qual o T. rex se movia vieram de estudos de ossos de pernas nas quais tendões afixavam músculos aos ossos. A dimensão das marcas sugere que os músculos das pernas eram bastante poderosos - nada parecido com os de uma criatura que se movia lentamente. Longe de ser lerdo, os paleontologistas concluíram que o T. rex era muito ágil. Constatações semelhantes sobre a anatomia de outras espécies de dinossauros levaram os pesquisadores a concluir que os dinossauros em geral fossem animais ativos. 
Devido a essa nova interpretação, os paleontologistas começaram a repensar suas suposições sobre a fisiologia dos dinossauros. Eles presumiram por muito tempo que todos eles tivessem sangue frio, como os modernos répteis. A temperatura corporal de um animal de sangue frio acompanha a do ambiente, e seu nível de atividade acompanha a temperatura do corpo. Um lagarto, por exemplo, fica ativo quando o corpo está quente e letárgico quando ele esfria. Os animais de sangue quente, como os pássaros e mamíferos, mantêm temperaturas corporais relativamente constantes e, como os dinossauros, possuem anatomias que permitem vidas ativas. 

Carniceiro ou predador?

Ainda que restem algumas discordâncias sobre os dinossauros serem ou não animais de sangue quente, a maioria dos paleontologistas aceita, agora, a ideia de que os dinossauros eram criaturas ativas. E a maioria dos pesquisadores concorda com as provas de que o T. rex era ágil e rápido, demonstrando que ele fosse primordialmente um predador, um animal carnívoro que mata outros animais para se alimentar.
tiranossauro rex
© istockphoto.com / Allan Tooley
Os pequenos braços do T. rex não eram úteis na captura inicial de presas, mas eram úteis para ajudar a segurar a vítima ou manipular a carcaça
 
Ainda que o T. rex tenha sempre sido reconhecido como carnívoro, alguns paleontologistas argumentavam que ele talvez fosse apenas um animal carniceiro, ou seja, que se alimenta da carne de animais já mortos. Alguns pesquisadores adotaram posturas fortes quanto a isso, mas outros apontaram que entre os animais carnívoros modernos, poucos são exclusivamente predadores ou carniceiros. Os leões, por exemplo, são predadores, mas também se alimentam de carniça. Da mesma forma, os abutres são carniceiros, mas também matam presas. Consequentemente, a maioria dos paleontologistas, por volta dos anos 90, não usava mais esses rótulos estreitos para tentar descrever o tiranossauro. Em lugar disso, boa parte de suas pesquisas sobre o dinossauro tentava definir mais claramente de que maneira ele teria caçado suas presas. 
Se o T. rex era um predador, era necessário que tivesse velocidade ao menos igual à de suas presas. Para determinar que velocidade de corrida um T. rex poderia atingir, o paleontologista James Farlow, da Universidade Purdue, em Fort Wayne, Indiana, estudou as pegadas preservadas de diversos terópodes, o grupo de dinossauros (que inclui o T. rex), que caminhavam apenas sobre as patas traseiras. Farlow calculou a velocidade máxima provável dos animais ao combinar fatores como a extensão de sua passada, o comprimento de seus ossos e seu peso estimado. Alguns terópodes, concluiu o pesquisador, podiam correr a até 40 km/h. 
Em 1995, Farlow e John Robinson, físico da mesma universidade, calcularam a capacidade de corrida do T. rex. O tiranossauro tinha braços relativamente curtos - cerca de um metro  de comprimento - e eles não poderiam deter uma queda do animal em caso de perda de equilíbrio. Caso um T. rex caísse em velocidade de 40 km/h, a força com que ele atingiria o solo provavelmente causaria ferimentos fatais. Eles estimaram, assim, que os tiranossauros provavelmente não ultrapassavam os 35 km/h, mas isso não teria sido veloz o suficiente para apanhar a maioria dos dinossauros herbívoros da era. 
Os braços curtos do tiranossauro também  suscitaram outras questões sobre como o dinossauro caçava suas presas. Com um corpo de 40 metros, braços de um metro parecem virtualmente inúteis. E, de fato, o paleontologista John Horner, do Museu das Rochosas em Bozeman, Montana, alega que os braços do T. rex eram curtos demais até mesmo para ajudar o animal a capturar presas. Horner e alguns outros paleontologistas mencionaram essa limitação como prova de que o T. rex era carniceiro e não predador. 
Outros pesquisadores apontam, porém, que ainda que os braços do tiranossauro fossem curtos em relação ao corpo, não seriam necessariamente inúteis. O paleontologista Kenneth Carpenter, do Museu de História Natural de Denver, reportou provas em 1990 de que os braços eram bastante fortes. Carpenter e seus colegas examinaram as marcas de ossos fossilizados nos pontos em que tendões conectavam o bíceps ao osso. Os pesquisadores calcularam que um braço de tiranossauro arcaria com peso de até 180 kg. A maioria dos paleontologistas argumenta, assim, que se os braços não eram úteis na captura inicial de presas, eram úteis para ajudar a segurar a vítima ou manipular a carcaça.

Mandíbulas poderosas, olhos aguçados, olfato apurado

tiranossauro rex
© istockphoto.com / Klaus Nilkens
Os dentes do T. rex, que são serrilhados nas extremidades mais ou menos como uma faca de pão, podiam exceder os 30 cm de comprimento
De qualquer forma, a maioria dos pesquisadores concorda que o tamanho dos braços do T. rex era irrelevante para sua condição depredador. Sua velocidade, agilidade e poderosas mandíbulas teriam sido mais que suficientes para que ele capturasse e matasse presas. Em 1996, o paleontologista Gregory Erickson e seus colegas da Universidade da Califórnia em Berkeley criaram uma réplica hidráulica das mandíbulas do T. rex e testaram sua força em ossos de gado.Queriam determinar que força seria necessária para criar marcas de mordidas semelhantes às encontradas nos restos fósseis de um tricerátopo, umdinossauro herbívoro do período cretáceo. A equipe de Erickson determinou que a força da mordida de um T. rex teria sido de até 13,4 mil newtons. Tamanha força, aplicada pelos dentes fortes e serrilhados do animal, provavelmente tornaria sua mordida fatal.
Os predadores, além de sua capacidade de capturar e matar presas, tendem a ter visão superior, e os paleontologistas acreditam que a vista do T. rex provavelmente estivesse bem adaptada à caça. Os olhos do tiranossauro tinham mais ou menos o tamanho de uma bola de beisebol, e a maioria dos paleontologistas acredita que isso teria dado ao animal uma vista aguçada. Além disso, o crânio do T. rex era estreito e seus olhos eram voltados para a frente. Consequentemente, o campo de visão dos olhos se sobreporia, e isso provavelmente ofereceria percepção de profundidade ao T. rex, uma característica valiosa para perseguir presas. 
O T. rex provavelmente também era bom em farejar presas, porque tinha uma cavidade enorme para o bulbo olfativo, uma região na frente do cérebro que responde pelo senso de aroma. John Horner, em defesa da tese do tiranossauro carniceiro, alega que o T. rex usava esse faro apurado para localizar animais mortos. Mas outros pesquisadores argumentam que o faro teria igual importância em caçadas.
Em 1999, pesquisadores do Museu Field de Chicago perceberam com mais precisão a possível capacidade olfativa do T. rex. O museu enviou o crânio de Sue a um laboratório no condado de Ventura, Califórnia, operado pela fabricante de aviões Boeing. Os pesquisadores do laboratório criaram imagens de raios-X do crânio usando tomografia computadorizada. As imagens permitiram que os cientistas examinassem todo o crânio, seção após seção. Com essa vista aberta do interior do crânio, os pesquisadores foram capazes de perceber que o espaço para os nervos olfativos era muito maior que o previsto pelos paleontologistas. 

Outras descobertas sobre o T. rex

Os restos fósseis de outros dinossauros também ofereceram provas quanto aos hábitos predatórios do T. rex. O paleontologista comercial Peter Larson, que liderou a escavação de Sue, também descobriu o esqueleto de um dinossauro herbívoro conhecido como edmontossauro (uma das diversas espécies de dinossauros dotados de bicos semelhantes aos dos patos) que mostrava cicatrizes de uma mordida de T. rex curada. O fato de que os ferimentos tenham sido curados, afirmou Larson, era indicação de que o animal continuou vivo depois de sofrê-los. Assim, a mordida deve ter sido dada por um predador e não por um carniceiro - mas por um predador que não conseguiu concluir o abate. Além disso, Larson apontou que os ossos de Sue e de outro espécime de tiranossauro do instituto Black Hills, conhecido como Steven, contêm cicatrizes curadas de mordidas de T. rex. As criaturas sobreviveram a ataques de outros membros da espécie. As constatações indicam que o rei tirano pode ter tomado animais de sua própria espécie como presa ou ao menos lutado contra outros tiranossauros por território ou parceiros de acasalamento. 
As marcas de mordidas nas vítimas do T. rex são um bom exemplo das ricas pistas de fontes secundárias que os paleontologistas consideram a fim de compreender melhor o comportamento dos tiranossauros. Em 1992, Gregory Erickson estudou os padrões de mordidas de tiranossauros em fósseis de edmontassauros e tricerátopos para determinar como o T. rex comia. Ele concluiu que as marcas longas e fundas nos ossos foram deixadas quando o tiranossauro abocanhou a carne das vítimas e arrancou dos ossos. Cicatrizes paralelas menores em lugares apertados perto da espinha dorsal, acredita Erickson, resultam do uso dos dentes frontais apenas, pelo T. rex, para mordiscar pedaços de carne. 
Outra fonte de informação indireta útil sobre o T. rex são os coprólitos, ou fezes fossilizadas. O conteúdo de um coprólito  oferece pistas sobre a dieta e o sistema digestivo do animal do qual vieram as fezes. Em 1998, a paleontologista Karen Chin, da United States Geological Survey, e seus colegas reportaram suas descobertas com base na análise de um coprólito de T. rex. Dentro do grande coprólito, os cientistas descobriram ossos esmagados de dinossauros herbívoros. Eles também notaram que os ossos estavam manchados e que as extremidades quebradas estavam arredondadas, provavelmente por ação de fortes ácidos no estômago do tiranossauro.

Indícios dos parentes do T. rex

Os paleontologistas também examinaram os restos fósseis de dinossauros que eram estreitamente aparentados ao T. rex - outros membros da família dos tiranossaurídeos ou outros terópodes - a fim de preencher as lacunas no conhecimento sobre os tiranossauros. Caso os pesquisadores identifiquem alguma informação rara sobre um membro da família dos tiranossaurídeos, se tornam capazes de propor palpites informados sobre os demais integrantes da família. Por exemplo, os paleontologistas não encontraram indícios fósseis diretos que os informem que aparência tinha a pele do T. rex. Mas sabem que o gorgossauro, um parente do tiranossauro no cretáceo, tinha pele com escamas hexagonais de diferentes cores, porque encontraram impressões de pele fossilizadas para aquele dinossauro. A maior parte dos pesquisadores presume que a pele do T. rex fosse semelhante à do gorgossauro.
A descoberta na Mongólia de impressões de pele de outro dinossauro tiranossaurídeo, uma criatura conhecida como tarbossauro, foi reportada por Kenneth Carpenter em 1997. As impressões indicavam que o tarbossauro tinha uma dobra de pele solta por sob as mandíbulas. Carpenter teorizou que esse traço anatômico pode ter sido uma espécie de bolsa na qual o animal abrigava grandes porções de carne antes de engoli-la. Ele também sugeriu que a dobra de pele poderia ser um papo, uma peça solta de pele como a que existe em muitos animais modernos, entre os quais alguns répteis. Os papos dos répteis muitas vezes têm cores brilhantes, e podem ser importantes para os animais na atração de parceiros e na intimidação de rivais em disputas por território. Caso a pele solta sob a mandíbula do tarbossauro fosse um papo, talvez tivesse propósitos semelhantes. E o tiranossauro, primo do tarbossauro, talvez também tenha tido um papo (ou bolsa de carne, se é essa a hipótese correta).

Não mais solitário

Indícios obtidos em outras descobertas de dinossauros ofereceram provas adicionais sobre os modos comportamentais do T. rex. O paleontologista Robert Bakker, do Tate Museum, de Casper, Wyoming, reportou em 1998 sobre a escavação de um ninho pertencente ao alossauro, um ancestral terópode do T. rex que viveu no jurássico tardio e no início do cretáceo. Bakker descobriu restos de presas no ninho, prova de que os pais levavam comida para os filhotes. Bakker argumentou que, por mais ferozes que fossem o alossauro e o tiranossauro, eles podem ter vivido em famílias, e não como caçadores solitários, e podem ter tomado conta de seus filhotes. 
As escavações de Peter Larson no Dakota do Sul sustentam essa teoria. No local em que a equipe de Larson descobriu Sue, também foram localizados outros espécimes individuais de T. rex, entre os quais mais um animal adulto e dois jovens, que podem ter sido parte de um grupo.
O paleontologista Peter Currie, do Real Museu Tyrrell, em Drumheller, Canadá, desenvolveu teorias sobre o comportamento grupal dos tiranossaurídeos com base em investigações do albertossauro, um dinossauro do cretáceo semelhante ao T. rex. Em 1997, na província canadense de Alberta (da qual deriva o nome do albertossauro), Currie descobriu os fósseis de 10 albertossauros, que variavam de filhotes de cerca de cinco metros de comprimento a adultos de 10 metros. Currie concluiu que os albertossauros  e outros tiranossaurídeos viviam em grupos e caçavam juntos em matilhas. Ele argumentou que os animais mais jovens e mais esbeltos devem ter sido mais velozes que os adultos maduros, e portanto úteis para cercar possíveis vítimas.  
Em 1999, Baker escavou o primeiro esqueleto quase completo de um T. rex jovem, descoberta que reforçou a ideia de que os animais jovens já eram predadores ferozes. O tiranossauro juvenil, conhecido como Tinker, tinha dentes de tamanho semelhante aos de um adulto maduro. Por outro lado, embora Tinker tivesse cerca de dois terços do tamanho de um adulto quando morreu, seus ossos eram mais esguios, o que sugere que o jovem dinossauro tinha apenas um quinto do peso de um T. rex maduro. Portanto, Tinker deve ter sido um predador esbelto, rápido e mortífero - um membro perfeito para uma matilha de tiranossauros caçadores. 
Outros indícios de cooperação entre tiranossaurídeos oferecem provas indiretas de que eles cuidavam de animais feridos. Larson descobriu que Sue tinha um osso fraturado na perna, que se curou mas deve tê-la incapacitado por algum tempo. Larson sugere que o T. rex só pode ter sobrevivido com a ajuda de outros indivíduos, que levavam comida para alimentá-lo enquanto a perna se curava. 
Essas imagens de cooperação em grupo, vida familiar e dos hábitos de criação de filhotes do T. rex contrariam as primeiras descrições do tiranossauro, no começo do século 20, bem como as suposições que perduraram por muito tempo de que ele fosse um caçador solitário. As imagens tradicionais do T. rex no cinema e nos romances podem tornar difícil imaginar comportamentos diferentes para essa besta aterrorizante. E como o imenso esqueleto de Sue demonstrou na abertura de uma exposição no Museu Field, em 2000, o T. rex sempre despertará um senso de espanto diante de sua ferocidade letal. Mesmo assim, a evolução de nossa compreensão sobre o tiranossauro como criatura social, além de predador mortífero, faz com que ele nos pareça mais real. 

Qual é o fóssil mais antigo já encontrado?

Introdução a Qual é o fóssil mais antigo já encontrado?

Quando se trata de fósseis, espécimes como Sue, uma Tyrannosaurus rex, chamam muita atenção. Sue não é apenas o T. rex mais completo já encontrado, ela também está beirando os 67 milhões de anos de idade. Em comparação com fósseis mais antigos já encontrados, no entanto, Sue é uma “criança” [fonte: Field Museum]. Alguns desses fósseis antigos, conhecidos como estromatólitos são 50 vezes mais velhos do que Sue – para sermos mais exatos, eles têm 3,45 bilhões de anos [fonte: University of Munster].



fóssil mais antigo
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Estromatólitos


É difícil para nós até mesmo conseguirmos entender o tamanho disso tudo, mas J. William Schopf, o primeiro paleobiólogo que descobriu os fósseis em 1993, ajuda a colocar as coisas em uma perspectiva mais clara em seu livro "Cradle of Life: The Discoveries of Earth's Earliest Fossils.". Se toda a história da Terra fosse comprimida em um dia de 24 horas, diz Shopf, os humanos teriam chegado no último minuto do dia. Em comparação, os estromatólitos já estariam por ali por mais de 18 horas. Talvez ainda mais surpreendente seja o fato de que os estromatólitos continuam a se formar até hoje.

Ao contrário de fósseis como esqueletos de dinossauros, os estromatólitos nunca fizeram parte de um organismo vivo. No lugar disso, os estromatólitos se desenvolvem mais da mesma forma como um molde é tirado para uma estátua, preservando sua forma, mas não contendo um determinado objeto. No caso dos estromatólitos, o “molde” é composto por finas camadas de sedimento e carbonato de cálcio – a mesma substância que forma o calcário – que se acumula ao redor de complexas colônias de cianobactérias(também chamadas de algas azuis) e outros organismos unicelulares. Os estromatólitos se formam bem lentamente, e o seu processo de formação dura milhares de anos. Felizmente, os estromatólitos de cada período geológico ainda existem. Ao se dissecar e explorar cuidadosamente essas estruturas, os cientistas têm acesso a algumas das únicas pistas sobre como eram as primeiras vidas na Terra.

Depois da Terra ter se formado há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, ela era totalmente inabitável.  Na verdade, a superfície da Terra foi uma espécie de rocha derretida por cerca de 800 milhões de anos -  e este não era exatamente um ambiente propício para se chamar de “lar” [fonte:Waggoner]. Depois da superfície terrestre ter se resfriado e se solidificado em placas continentais, apareceu o primeiro microorganismo. Entre os mais significantes estavam as cianobactérias, que prosperaram em bacias rasas de água salgada onde apesar de estarem protegidas dos raios solares intensos ainda ficavam perto da superfície já que dependiam do sol para a fotossíntese.


Com o passar do tempo, uma incrível variedade de estromatólitos se formou ao redor dessas colônias de cianobactérias e outras formas de vida primárias. Na verdade, a espantosa complexidade dessas estruturas é a melhor prova de que elas eram cheias de vida – caso contrário elas simplesmente não teriam se formado. De alguma forma, até mesmo as mais antigas dessas estruturas resistiram a bilhões de anos de turbulências geológicas antes de Schopf tê-las descoberto na Austrália Ocidental em 1993.

A descoberta desses estromatólitos em particular foi de extrema importância por inúmeras razões. Quando Darwin propôs a teoria da evolução pela primeira vez, ele reconheceu que lacunas nos registros fósseis representariam uma série ameaça à sua afirmação de que toda a vida teria se originado do mesmo e distante ancestral. Naquela época a tecnologia era muito limitada até mesmo para encontrar, quanto mais para identificar  os fósseis e por mais de 100 anos as coisas ficaram exatamente assim. Alguns chegaram a pensar que as provas para esse “link faltante” entre a vida como a conhecemos e as primeiras formas de vida nunca seria descoberto, possivelmente por ter sido destruído durante eras de violentos terremotos e erosões.

No entanto, a descoberta de Schopf mudou as coisas. Os biólogos finalmente tiveram acesso a provas conclusivas sobre quando e quais foram os tipos de vida que primeiro habitaram a Terra, e por causa desse entendimento, os cientistas têm hoje uma ideia muito melhor de como a vida evoluiu. A atmosfera terrestre durante o período Arqueano, quando as cianobactérias e outras formas de vida primárias apareceram, era composta de metano, amônia e gases que seriam tóxicos para a maioria das formas de vida que conhecemos hoje. Atualmente, os cientistas acreditam que organismos como cianobactérias foram responsáveis por criar oxigênio através da respiração anaeróbica. Quem sabe o que os estromatólitos ainda podem nos ensinar sobre a vida na Terra?

Infelizmente, apesar de estromatólitos ainda continuarem a crescer em alguns lugares como o Parque Nacional Yellowstone, nos EUA, e regiões das Bahamas, eles já não são mais tão facilmente encontrados. Se nós não pudermos proteger essas formações incríveis, pode ser que a gente venha a perder para sempre um dos guardiões mais precisos e diligentes dos registros de nosso planeta.

Inventos estranhos da Nasa

A Nasa é reconhecida por ter permitido a criação de uma série de coisas úteis - além das viagens espaciais. Desde sua criação, em 1958, a Nasa tem como uma de suas missões melhorar a vida na Terra. Ela trabalha em conjunto com várias empresas e equipes de pesquisa nos EUA, desenvolvendo conceitos que podem auxiliar no avanço da tecnologia em vários campos, da saúde ao entretenimento. Há até mesmo uma publicação da Nasa, chamada "Spinoff", que detalha os diversos produtos comerciais e tecnologias que surgiram a partir de ideias da Nasa.


Há alguns exemplos de coisas muito úteis derivadas da tecnologia da Nasa, como as ferramentas sem fio e modernos métodos de telecomunicações. E existem também aplicações estranhas, ou produtos inusitados, que provavelmente nunca foram imaginados pelos cientistas da Nasa durante a criação de um conceito.




Vamos conhecer nas páginas seguintes alguns dos itens mais estranhos desenvolvidos a partir de tecnologia da Nasa.


5: Suplementos nutricionais de microalgas

Nos EUA, e em mais de 70 outros países, a papinha de bebê normalmente inclui microalgas - ou melhor, um suplemento nutricional derivado de algas. E muitos outros alimentos contêm derivados de algas, graças a um programa iniciado pela Nasa nos anos 80 do século 20 - o Sistema de Apoio à Vida em Ambiente Fechado. Entre os estudos estava o uso de microalgas como alimento em missões espaciais de longa duração. Depois que a Nasa encerrou o programa, alguns dos cientistas que trabalharam nele fundaram uma empresa Martek Biosciences, para continuar a pesquisa.



Sorvete do espaço
Crianças gostam de pedir "sorvete dos astronautas" nas lojas de lembranças de muses espaciais, mas o sorvete liofilizado (desidratado a frio) não era popular entre os astronautas. Criado pela Whirlpool para a missão Apollo de 1968, só foi para o espaço naquela ocasião.

Uma das microalgas estudadas pela Martek é a Crypthecodinium cohnii, rica num ácido graxo ômega-3 chamado DHA (sigla em inglês de ácido docosahexanóico). O DHA é encontrado no cérebro, nos olhos e no coração, sendo essencial para o desenvolvimento desses órgãos em bebês e para seu funcionamento em adultos. Em 2001 a Martek começou a produzir um suplemento nutricional chamado Formulaid, que também incluía AHA (ácido aracdônico), um ácido graxo ômega-6 essencial, derivado de um fungo. Atualmente o Formulaid está presente em quase todas as fórmulas alimentares para bebês vendidas em 76 países, e o DHA desenvolvido pela Martek a partir de algas também é adicionado a alimentos como leite, iogurte, molho de macarrão e pão.




Em 2009 a Nasa e a Fundação Espacial incluíram os suplementos nutricionais de microalgas no Hall da Fama do Espaço.

4: Perfume de rosa espacial

Gertrude Stein escreveu em 1913 que "Uma rosa é uma rosa é uma rosa". Mas aparentemente uma rosa no espaço não é como uma rosa na Terra. Em 1998 pesquisadores do Wisconsin Center for Space Automation and Robotics, da Nasa, desenvolveram uma câmara especial para cultura de vegetais - a Astroculture. O dispositivo fornece às plantas níveis adequados de nutrientes, umidade e calor durante missões espaciais. Uma fábrica de essências, a International Flowers & Fragrances (IFF), imaginou que a Astroculture seria perfeita para descobrir que mudanças haveria no aroma de uma rosa no espaço. Embora já se soubesse que a microgravidade provocava mudanças biológicas nas plantas, ninguém ainda havia pesquisado seu efeito na produção de óleos voláteis, que dão aroma às flores.


A IFF escolheu para o experimento uma variedade miniatura de rosa chamada Overnight Scentsation. Com menos de 18 cm de altura, a planta cabia facilmente no compartimento da Astroculture (com 43,2 por 22,9 por 53 centímetros). A rosa foi para o espaço em 28 de outubro de 1998, a bordo do ônibus espacial Discovery, no voo STS-95. Durante a missão os dois botões da roseira desabrocharam, e astronautas mediram várias vezes o teor de óleos voláteis da rosa.




Analisando as amostras a IFF concluiu que a rosa produziu no espaço menos óleos voláteis. Segundo Braja Mookherjee, da equipe de pesquisadores da IFF, o aroma também era mais "floral de rosa" que o normal [fonte: NASA]. A partir desse aroma a IFF criou uma essência chamada rosa espacial, usada no perfume Zen, da Shisedo.
Rosa usada em experimento no espaço

Nasa/Marshall Space Flight Center

Rosa usada em experimento no espaço

3: Maiô superveloz


O que há em comum entre voos espaciais e natação? A resposta é o arrasto viscoso, força que se opõe ao movimento de um objeto por um fluido como o ar ou a água. Na natação de competição as vitórias se dão por centésimos de segundo, e a redução do arrasto pode ser a diferença entre a vitória e a derrota. 




O Centro de Pesquisas Langley, da Nasa, usa túneis de vento para estudar a dinâmica dos fluidos - o fluxo de fluidos em movimento. Estudando as forças envolvidas a Nasa melhora a aerodinâmica das naves espaciais. A Speedo, fabricante de material de natação, buscou a ajuda de pesquisadores em Langley após a Olimpíada de 2004, para projetar roupas de natação mais eficientes. Usando um túnel de vento, eles testaram os efeitos do arrasto em mais de 100 tecidos e revestimentos. Até as costuras foram analisadas.




Das pesquisas surgiu o LZR Racer. Feito de tecido leve resistente à água, o traje de natação tinha suas partes unidas por solda ultra-sônica, que reduzia em 6% o arrasto em relação à costura tradicional. Além disso, cobria superfície maior do corpo, o que ajudava a diminuir o arrasto, e comprimia o corpo, tornando o nadador mais hidrodinâmico e capaz de dispender menos energia para nadar.




Nadadores usando o LZR Racer conseguiram ótimos resultados - Michael Phelps ganhou suas 8 medalhas de ouro na Olimpíada de 2008 com o traje. A vantagem dos nadadores que usavam esse traje desenvolvido com ajuda da Nasa era tão grande que em 2009 a Fina, órgão que controla a natação de competição, passou a restringir seu uso.

2: Aniquilador de espinhas

Há muitos produtos para prevenir e combater a acne, mas vários deles exigem uso prolongado e podem provocar efeitos colaterais. Um pesquisador chamado Robert Conrad pensou num jeito diferente de acabar com as espinhas - fritando-as. O Zeno é um aparelho portátil que usa calor para atacar e matar a P. acnes, bactéria causadora da acne.


Conrad fez um protótipo na garagem de sua casa, mas queria produzir em série o aparelho. O problema da versão caseira estava em seu tamanho - e também no preço, alto demais. Ele precisava de algo menor e mais eficiente para fornecer calor. Foi aí que entrou o Satop, um programa da Nasa criado para ajudar, com engenharia, pequenos negócios que enfrentam problemas no projeto ou desenvolvimento de produtos. A empresa de Conrad, chamada Tyrell, teve acesso ao Satop graças ao Centro Espacial Johnson, em Houston (Texas). Conrad foi apresentado ao engenheiro de projetos Allen J. Saad, que trabalhava na Boeing, tradicional fornecedora da Nasa.




Saad usou sua experiência para chegar a uma enorme redução no custo do aquecedor do aparelho - de US$ 80 para US$ 0,10. O Zeno consegue atingir as bactérias da base das espinhas com o nível certo de calor, matando-as sem prejudicar a pele vizinha.

1: Equipamentos para cabeleireiros com nanopartículas

Astronautas não têm muito o que fazer com seu cabelo no espaço; eles lavam os fios com xampus especiais sem enxague - e é só. Mas na Terra a indústria ligada aos cuidados com os cabelos é grande, e os fabricantes procuram constantemente aperfeiçoar seus produtos. Um deles resolveu pedir ajuda à Nasa. Em 2001 Farouk Shami, fundador de uma empresa de produtos para cabelo, conheceu numa conferência sobre nanotecnologia o cientista da Nasa Dennis Morrison. Durante décadas Morrison tinha pesquisado materiais nanocerâmicos - pequenas partículas de cerâmica do tamanho de um décimo de milésimo da espessura de um fio de cabelo. Seu trabalho levou à criação de microcápsulas de medicamentos para ser injetadas em tumores.


Shami queira usar material nanocerâmico na superfície de instrumentos de cabeleireiros como ferros de alisar. Baseado no que aprendeu com Morrison, ele criou um material composto de metal e cerâmica que liberava íons negativos ao ser aquecido. De acordo com a Farouk Systems, empresa de Farouk, o resultado final é cabelo mais macio, brilhante e maleável. Shami também criou produtos com nanopartículas de prata, que a Nasa pesquisava como forma de manter limpas no espaço as superfícies. Por suas propriedades antimicrobianas, a prata, aplicada de forma microscópica na superfície dos utensílios de cabeleireiro, os torna autodesinfetantes. 




Depois de se aposentar da Nasa, em 2006, Morrison foi trabalhar na Farouk Systems. Entre seus projetos está o uso de luz quase infravermelha, de LEDs (que ele pesquisava na Nasa por sua capacidade de curar a pele) em produtos que supostamente diminuem o tempo de secagem do cabelo e estimulam seu crescimento.


Como funciona a curiosidade

Como animais que somos, nós humanos precisamos de algumas poucas coisas para nos manter como uma espécie. Precisamos de comida – porque somos onívoros, há bastante escolha. Precisamos de água limpa para beber. Precisamos de abrigo contra as intempéries. E precisamos nos reproduzir. Fora isso, não há muito mais que seja necessário.
Mas uma análise rápida da cultura humana mostra o quanto fomos além das necessidades básicas para criar um mundo extremamente complexo – e, na opinião de alguns, complicado demais. A Internet, o telefone, os aviões, trens e carros, nossas casas, nossas roupas, nossas dietas, nossos brinquedos – tudo isso vai muito além das necessidades básicas. Nós humanos tendemos a ir além.
É o caso da curiosidade. Esta aparentemente instintiva necessidade de obter informações das quais não precisamos é supérflua – e nos casos mais extremos, perigosa. Pense, por exemplo, em estar de frente para uma caverna escura. É a curiosidade que leva alguém a ver o que há nela – que pode ser uma furiosa fêmea de urso com sua ninhada. Vista de maneira simplificada, a curiosidade vai contra a teoria da evolução: os mais curiosos entre nós devem ter morrido antes de ter a chance de se reproduzir, levados pela seleção natural. Nós não precisamos realmente fazer palavras cruzadas, ou descobrir o que há naquela caverna escura. Mesmo assim, temos um impulso quase incontrolável de fazer isso. Como diz George Lowenstein, pesquisador especializado em curiosidade, tente desligar a TV nos minutos finais de uma partida muito disputada.
Sabemos há muito tempo que somos curiosos por natureza, e para a maioria isso é algo apreciado. No Ocidente, a Idade Média representou uma das poucas vezes na história em que a curiosidade foi desprezada, considerada um vício por influência de Santo Agostinho, que em suas “Confissões” a caracterizou como uma distração que impede o autoconhecimento [fonte:Pihas].
Esta estranha motivação de explorar nosso mundo, indo além do que precisamos para sobreviver, levou-nos à Lua, ampliou nossa maestria em curar nosso organismo e nos deu melhor compreensão sobre nossos próprios genes. Só que ao mesmo tempo não compreendemos totalmente o meio que nos permitiu tais conquistas. A curiosidade permanece um mistério para nós mesmos.

Teorias psicológicas sobre a curiosidade: interna ou vinda de fora?

Até agora a origem exata da curiosidade intriga a ciência, mas psicólogos têm conseguido classificar alguns aspectos da curiosidade. Só que não fica respondida a dúvida maior: a curiosidade vem de dentro de nós ou é uma resposta ao mundo exterior?
Um campo da psicologia acredita que a curiosidade é um impulso interno, originado em nós mesmos, como a sede ou a fome. Esta teoria do impulso vê a curiosidade como uma necessidade que ocorre naturalmente e que precisa ser satisfeita de modo bem semelhante a como saciamos a fome - ao comer.   Quando nossa curiosidade se manifesta nos voltamos a velhos ou novos interesses como forma de satisfazer essa necessidade.
A teoria do impulso ajuda a explicar o comportamento de busca da curiosidade. Ela mostra por que nós ativamente vamos atrás de e nos envolvemos em fazer palavras cruzadas ou tocar um instrumento. Essas atividades não são apenas supérfluas – elas também trazem o risco de falhar. Só que elas fazem muito mais sentido se vistas como alimento para nossa curiosidade.
O que a teoria do impulso não explica é o funcionamento da curiosidade em relação a um objeto específico. É aqui que entra a teoria da incongruência. Essa teoria se baseia na ideia de que a curiosidade surge quando nos deparamos com algo que não bate com nosso entendimento do mundo.
Tendemos a pensar no universo como algo previsível e ordenado; pela teoria da incongruência, quando esta ordem é desafiada nossa curiosidade é despertada. Imagine que enquanto você lê este texto um lápis se mova sozinho uns 5 centímetros. Isso não se encaixa em nossa visão do mundo. Lápis não se mexem sozinhos. Você acha que conseguiria não tentar descobrir por que o lápis saiu do lugar?
Nesse caso nossa curiosidade foi atiçada por um evento externo, e fomos levados a tentar entendê-lo, o que sustenta a teoria da incongruência.
Mas a teoria do impulso e a teoria da incongruência não explicam totalmente a curiosidade. Cada uma tem limitações ao explicar um aspecto ou outro, o que mantém a curiosidade como um mistério. Isso não significa que não tenhamos a algumas conclusões sobre ela. A discussão sobre a curiosidade ter origem dentro de nós ou ser uma reação ao que encontramos na vida pouco tem a ver com a forma como o fenômeno é classificado.

Curiosidade inata versus curiosidade adquirida

O conceito de que a curiosidade seja originada dentro de nós ou fora de nós levou a duas classificações de tipos de curiosidade: adquirida e inata. Esses dois termos descrevem o modo pelo qual os humanos adotam (ou não adotam) um comportamento de curiosidade. Lembra do lápis que se movia sozinho?

O surto de curiosidade que faria pensar na curiosidade como reação é conhecido como curiosidade adquirida. Geralmente se baseia numa situação externa e pode ir de algo tão trivial como imaginar por que um caminhão está fazendo entregas às 2 da manhã numa loja até coisas tão esotéricas como, durante um funeral, pensar na vida após a morte.
Se todos os humanos forem curiosos por natureza, então a curiosidade adquirida parece ser o melhor jeito de descrever esse nosso aspecto. A curiosidade adquirida tende a ser ligada a altos níveis de recompensa, tais como a excitação. [fonte: Kashdan e Roberts].
O conceito de curiosidade intrínseca é conhecido como curiosidade inata. Ela se refere à característica de algumas pessoas de manter por toda a vida interesse em aprender, apenas em nome do próprio aprendizado. O estudo da curiosidade inata mostrou que ela se liga a todos os tipos de comportamento, desde experimentar drogas ou provocar intencionalmente incêndios até atividades intelectuais refinadas e completa falta de medo. No geral ela é uma característica positiva.

Apesar de estudos sobre a curiosidade inata apresentarem com frequência resultados contraditórios em relação a outros estudos, é possível pensar na curiosidade inata como característica latente em todas as pessoas, mas exibida com evidência em apenas algumas. Na visão de uma moderna escola de psicologia, a curiosidade inata é sufocada nas pessoas que não a mostram devido a medo e ansiedade. De fato, corremos o risco de falhar quando tentamos aprender coisas novas – podemos não tocar bem um novo instrumento musical; podemos não conseguir resolver uma palavra cruzada; podemos nos dar mal numa tentativa de mergulho. É possível perceber a curiosidade como o impulso que nos tira de nossas zonas de conforto, e o medo como o agente que nos mantém dentro de nossos limites [fonte:Jacobs].
Psicólogos classificam a curiosidade inata com base na variação de interesses buscados. Amplitude de curiosidade é o tipo em que a pessoa se interessa por um grande espectro de tópicos. Profundidade de curiosidade é o nível de interesse em um só tema, que pode ser qualquer coisa – dinossauros, uma língua estrangeira, antropologia, astronomia. Qualquer interesse profundo num assunto específico tende a se encaixar como curiosidade inata em profundidade.
Isso revela outra grande questão em relação à curiosidade: o que ganhamos com ela?

As recompensas pela curiosidade

Uma das implicações subjacentes da curiosidade é que dela precisa derivar alguma coisa. Quando crianças, ganhamos uma compreensão do nosso mundo (e aquele conjunto de expectativas previsíveis que podem ser quebradas quando um lápis se move sozinho) ao interagir constantemente com ele. Aprendemos coisas como: fogo aceso = quente; pote de água do cachorro = molhado; piso de casa = duro. Mas que recompensa real há em aprender um bocado sobre outros planetas se isso não tem nenhuma relação com o trabalho da pessoa? Qual a razão de aprender um idioma se a pessoa não planeja viajar para um lugar em que ele seja falado?

Para os teóricos do impulso, a resposta é que nossa mente persegue a distração. Essa ideia é lastreada por estudos de privação sensorial feitos nas décadas de 1950 e 1960. Pesquisas mostram que pessoas sensorialmente limitadas, mantidas em lugares sem luz nem som por longos períodos buscam qualquer tipo de informação. Um estudo sobre os efeitos da lavagem cerebral mostra que  na ausência de qualquer outro estímulo as pessoas pedem para receber qualquer informação mais árida, como a leitura repetidas vezes de um velho relatório sobre cotações de ações. [fonte:Lowenstein]. 
Além de espantar o tédio, há mais recompensas propiciadas pela curiosidade. Psicólogos cognitivos afirmam que parte de nossa personalidade se forma graças a informações e atitudes adquiridas por sermos curiosos. Na visão deles, a curiosidade é como um veículos que as pessoas usam para se expandir. Parece também que pessoas curiosas são atraídas por outras pessoas similarmente curiosas. Estudo feito em 2004 mostra que níveis elevados de curiosidade inata tendem a prever quão próximos os participantes se sentiam uns dos outros. Níveis compartilhados de curiosidade inata predominam até em relação ao efeito da recompensa positiva (ter uma  atitude no geral positiva em relação à vida) como fator. Isso significa que a curiosidade pode servir como forma de desenvolver relações interpessoais, possivelmente graças à falta, associada à curiosidade, do medo de falhar (nesse caso, rejeição social).
Por outro lado, falta de curiosidade tem sido ligada a emoções negativas. Pesquisas mostram que participantes temporariamente deprimidos demonstram falta de curiosidade adquirida  [fonte: Rodrigues, et al]. O mesmo se aplica a estudos com portadores de Alzheimer. Pesquisa feita em 1992 mostra que pessoas com Alzheimer demoram menos tempo examinando novas imagens que pessoas sem a doença [fonte: Daffner, et al].
As descobertas sobre a relação entre humor e curiosidade levam a outra questão: a curiosidade tem origem biológica?

Biologia e curiosidade

Apesar de até agora não ter conseguido explicar completamente a existência da curiosidade, a psicologia ajudou muito a entendê-la. A correlação negativa entre curiosidade e medo serviu de guia para outra disciplina científica – a genética.
Em 2007, pesquisadores do Instituto Max Planck descobriram o que batizaram de “gene da curiosidade” num pássaro, o chapim-real (Parus major).  Esse gene, Drd4, é responsável por criar receptores para a dopamina, um neurotransmissor. Pássaros com a mesma variação nesse gene demonstraram maior propensão a ir para novas áreas e a explorar objetos com que não estavam familiarizados colocados em suas gaiolas [fonte: Instituto Max Planck].
Há muito tempo se sabe que animais apresentam sinais de curiosidade – por exemplo, ratos que exploram novas áreas de um labirinto sem expectativa de conseguir comida ou alguma outra recompensa, e primatas que aprendem a abrir a janela de suas jaulas só para ver o que acontece fora delas no laboratório. Embora esse comportamento talvez não bata com o da curiosidade inata humana, é relevante o fato do “gene da curiosidade” identificado no chapim-real ser ligado à dopamina.
No cérebro humano, nossa curiosidade é tratada de forma muito semelhante a outras atividades prazerosas, tais como comer. Quando buscamos ativamente novas informações através da nossa curiosidade somos recompensados com uma torrente de dopamina, indutora de prazer.
Além do sistema de recompensas, outras áreas do cérebro têm papel na curiosidade. Parece que regiões dedicadas à memória no córtex pré-frontal nos permitem diferenciar estímulos novos e previamente experimentados. Afinal, como teríamos algo que não curiosidade caso não conseguíssemos reconhecer coisas que já tivéssemos encontrado? Aparentemente o centro mais responsável por nosso senso de curiosidade é uma parte do hipocampo cerebral chamada dentate gyrus.
Em 2009, pesquisadores descobriram que o aumento da presença de uma proteína que interage com a dopamina no dentate gyrus provoca aumento significativo no comportamento curioso em animais [fonte: PhysOrg]. De novo a dopamina parece ter papel relevante na curiosidade.
Ainda é um mistério a forma como esse papel é desempenhado, assim como outros aspectos da curiosidade. Porque a curiosidade é considerada a força motora da curiosidade científica, é quase certo que ela vá um dia levar pesquisadores a entendê-la totalmente.

Qual é a força de uma mordida de tubarão?

Os seres humanos sentem uma fascinação meio mórbida diante de ataques de tubarões. A internet está repleta de sites que exibem fotos horríveis e histórias apavorantes de pessoas que foram atacadas por tubarões. O filme "Tubarão" certamente não ajudou a imagem dos tubarões aos olhos dos setes humanos, já que o personagem-título atacava impiedosamente uma cidadezinha em uma ilha na costa da Nova Inglaterra. Ainda que os espectadores tentassem desviar o olhar, "Tubarão" se tornou o 40° filme na lista de maiores bilheterias de todos os tempos nos Estados Unidos [fonte:IMDb - em inglês].



Qual é a força da mordida de um tubarão?
© istockphoto.com / Bart Coenders
Qual é a força da mordida de um tubarão?


A idéia de ser atacado por um tubarão é horrível. Não estamos simplesmente falando do fato de que a pessoa pode ser comida vida, mas também de os ataques aconteceram no vasto e incógnito mar. No entanto, histórias sobre ataques por tubarões também podem ser inspiradoras. O caso de Bethany Hamilton serve como exemplo. Em 2003, a surfista de 13 anos, uma jovem estrela do esporte, estava pegando ondas em Kauai, no Havaí, quando um tubarão mordeu seu braço e o arrancou pouco abaixo do ombro [fonte: CNN- em inglês]. Ela não se deixou atemorizar pelo ataque e continuou surfando; hoje também participa de competições de snowboard. 
Histórias como a de Hamilton e as de outras vítimas de ataques de tubarões capturam nossa imaginação. Elas resultam em grandes manchetes, mas na verdade a chance de ser morto ou ferido em um ataque de tubarão é na verdade inferior à de ser morto por um relâmpago ou se ferir caindo de uma escada [fonte: Universidade da Flórida].
Ainda assim, não conseguimos evitar o fascínio que os ataques de tubarões nos causam. Talvez sejam as imensas mandíbulas, repletas de dentes vorazes. Ao olhar a mandíbula de um tubarão, dá a impressão dele ser capaz de mastigar um carro. Mas qual exatamente é a força de uma mordida de tubarão? 

Visão científica das mordidas de tubarão

Na verdade, a imagem de um tubarão capaz de destruir a mordidas qualquer coisa que ele encontre não tem fundamento. As mordidas dos tubarões não são tão fortes quando imaginamos.
Por muitos anos, os relatos sobre a força das mordidas de tubarões eram em larga medidas incidentais e qualititativos. Baseados em relatórios de ataquespor predadores como o tubarão touro, o branco e o tigre, sabemos que muitas espécies mordem com força suficiente para atravessar o corpo humano. Mas não havia dados suficientes associados a essa informação. O primeiro teste a quantificar a pressão exercida por uma mordida de tubarão foi conduzido em 1965 por dois pesquisadores que criaram uma escala consistindo de um tubo sólido de alumínio revestido de PVC, com rolamentos de esfera inseridos em torno da porção externa da engenhoca  [fonte:Martin].



Tory Belleci, of Discovery Channe's
Copyright Discovery Communications, LLC
Tory Belleci, do programa "MythBusters", do Discovery Channel, testa a força de uma mordida de tubarão (mecânico) 

Os pesquisadores envolveram o aparelho em carne de cavalas e a usaram para alimentar tubarões limão, tigre e pardo. Depois de calcular a profundidade a que os tubarões haviam empurrado os rolamentos de esferas contra o tubo ao morder a carne, os cientistas conseguiram estimar a força de cada mastigada. Concluíram que os tubarões pardos tinham a mordida mais forte - eles exerciam cerca de 12,2 kg de força [fonte: Martin].
Já que as diferentes espécies se adaptaram a comer diversos tipos de alimento, a força de suas mordidas deve, logicamente, ser diferente. Alguns tubarões, como o tubarão-baleia (o maior entre as espécies de tubarão), têm milhares de dentes mas já não os usam. Os tubarões-baleia em lugar disso desenvolveram uma membrana que filtra plâncton e pequenos peixes e os deixa chegar diretamente ao estômago. Outros tubarões, como o tubarão-chifrudo, estão adaptados a durofagia - comer animais de casca dura, esmagando e rompendo suas cascas com a força de seus dentes e mandíbulas. 
Na Universidade do Sul da Flórida (USF), pesquisadores de tubarões usam um transdutor de força para medir a força de uma mordida. Eles constataram que os tubarões de focinho negro (com cerca de 1,5 metro de comprimento) podem produzir 110,5 kg de força na traseira de suas mandíbulas, enquanto os tubarões chifrudos produzem 34,5 kg de força [fonte: USF].
Isso não parece muito forte, já que um estudo de 1995 constatou que a força média de mordida para 22 raças comuns de cachorro fica pouco abaixo dos 26 kg [fonte: Lindner, et al]. Mas, e quanto aos grandalhões, os tubarões-tigre, touro e branco? Na verdade são os seus dentes que causam o maior estrago. A maioria dos pesquisadores de tubarões conclui que é por isso que o número de mortes em ataques por tubarões-brancos é tão desproporcionalmente baixo, comparado ao número de ataques.


Pesquisadores da Universidade da Nova Gales do Sul, Austrália, estudaram a força da mordida do tubarão-branco e acreditam que a capacidade da espécie para fazer estrago baseia-se mais em dentes agudos e abundantes, do que na força das mandíbulas [fonte: Live Science].
Um dado interessante é que, apesar de toda sua força destrutiva, os dentes de tubarão caem facilmente. Os tubarões não têm ossos em seus corpos (as estruturas de apoio são feitas de cartilagem), de modo que seus dentes não estão presos nas mandíbulas com a mesma firmeza dos dentes humanos. Embora os dentes de tubarões se quebrem facilmente, eles voltam a crescer. Os tubarões-limão conseguem repor um dente perdido em cerca de oito dias [fonte: Sea World]. Essa é mais uma razão para a reputação do tubarão como o mais temível predador na Terra - mesmo que eles não mordam tão forte quanto imaginávamos.