terça-feira, 22 de março de 2011

O CICLO DA ÁGUA




Ciclo da Água

A água desenvolve um ciclo. O chamado ciclo da água é o caminho que ela percorre. A chuva, basicamente, é o resultado da água que evapora dos lagos, rios e oceanos, formando as nuvens. Quando as nuvens estão carregadas, soltam a água na terra. Ela penetra o solo e vai alimentar as nascentes dos rios e os reservatórios subterrâneos. Se cai nos oceanos, mistura-se às águas salgadas e volta a evaporar, chove e cai na terra.
A quantidade de água existente no planeta não aumenta nem diminui. A abundância de água é relativa. É preciso levar em conta os volumes estimados de água acumulados e o tempo médio que ela permanece nos ambientes terrestres. Por exemplo: nos rios o volume estimado de água é de 1700 quilômetros cúbicos e o tempo de permanência no leito é de duas semanas. As geleiras e a neve têm 30 milhões de quilômetros cúbicos e a água deve ficar congelada por milhares de anos. A água atmosférica tem o volume de 113 mil quilômetros cúbicos e permanece por 8 a 10 dias no ar.
 Acredita-se que a quantidade atual de água seja praticamente a mesma de há 3 bilhões de anos. Isto porque o ciclo da água se sucede infinitamente. Não seria engraçado se o alimento que comemos ontem tivesse sido preparado com as águas que, tempos atrás, foram utilizadas pelos romanos em seus famosos banhos coletivos?

     
Ciclo da Água

O que é Água

A água é um líquido incolor e inodoro, como todas as substâncias é formada por partículas minúsculas chamadas átomos, que agrupados formam moléculas. A molécula de água é formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio - H2O.

O CONAMA pela resolução 20/86, classifica as águas no Brasil de acordo com a sua salinidade. Salinidade inferior ou igual a 0,5% é água doce, com salinidade entre 0,5% e 30% é água salobra e com salinidade superior a 30% é água salina.

A água pode apresentar-se sob três aspectos: sólido, líquido e gasoso; essas diferentes fases de agregação molecular dependem de condições ambientais, como pressão e temperatura. 
  
Água
Aspectos Físicos e Químicos da Água

São quatro as mudanças de estado físico da água: Fusão, Vaporização, Condensação e Solidificação.  

Fusão - é a passagem do estado sólido para o líquido. Um exemplo de fusão é o gelo se derretendo, quando a temperatura da água aumenta acima de 0oC; também pode ocorrer fusão da água quando há diminuição da pressão.   

Vaporização - é a passagem do estado líquido para o gasoso, pode se dar por Evaporação e Ebulição. Dizemos que a água se evapora quando passa do estado líquido para o gasoso lentamente e à temperatura ambiente. Quanto maior a superfície da água em contato com o ar, quanto maior a temperatura do ambiente e quanto maior a ventilação, mais rápida será a evaporação da água. A ebulição ocorre quando a água passa do líquido para o gasoso rapidamente, por aumento súbito da temperatura; por exemplo a água que ferve numa chaleira à 100 oC.   

Condensação ou Liquefação - é a passagem da água do estado gasoso para o estado líquido. As nuvens, por exemplo, são formadas por gotículas de água, quando a temperatura diminui ou a pressão atmosférica aumenta, o vapor se transforma em líquido, isto é, se condensa, formando as nuvens e, posteriormente cai em forma de chuva. A neblina e o sereno são outros exemplos de condensação.  

Solidificação - é a passagem da água do estado líquido para o sólido, e para que isso ocorra é necessário que haja diminuição da temperatura ou aumento da pressão. O volume da água diminui e a densidade aumenta quando a temperatura passa de 0oC para 4oC, depois volta a aumentar, por isso o gelo flutua.  


O ciclo hidrológico caracteriza o comportamento natural da água: 
sua origem, sua forma, transformações e relações com os seres vivos

Sob efeito do aquecimento solar, a evaporação de toda a água na Terra com a evapo-transpiração das plantas e animais, sobem para atmosfera e formam as nuvens, que de acordo com a pressão e temperatura, adquirem características de cirrus (nuvens altas), altocumulos (nuvens médias) e stratocumulus (nuvens baixas). Ao alcançarem as regiões mais frias e ficarem cada vez mais cheias de vapor d'água, as nuvens condensam-se, tornam-se pesadas e caem em forma de chuva, granizo ou neve. Assim a água retorna aos oceanos, lagos, rios e ao solo; parte da água que caiu pode se infiltrar no solo e formar os lençóis freáticos, aqüífero artesiano ou simplesmente as águas subterrâneas.   
Fonte: Internacional Hydrological Programe - IHP - IV/UNESCO, 1998
Geleira
Ciclo da Água

A água é necessária não somente como um suporte pontual para a vida da fauna e a flora, mas também como motor de um conjunto de movimentos cíclicos de renovação e transformação que conformam o chamado ciclo da água ou ciclo hidrológico. A água tem como característica interessante seu extraordinário grau de mobilidade: passa do estado líquido ao estado gasoso, retorna ao estado líquido, pode passar novamente ao estado sólido e continua assim em um processo permanente de mudanças que se relaciona com a energia.
  
A água é a mestra do reciclado, da autoconversão e da autopurificação. Vejamos como ocorre o processo. As águas oceânicas ou continentais passam ao estado gasoso mediante a evaporação, graças à energia que recebem do sol. Os níveis de evaporação dependem da temperatura e da quantidade de vapor ou umidade que se encontre no ar circundante. Também existe uma importante evaporação que provém das plantas, que neste caso se denomina transpiração.
  
O processo inverso à evaporação é a condensação. O vapor volta a se converter em água quando o ar saturado com umidade absorve mais umidade por parte de outras substâncias ou quando há uma gota na temperatura do ar saturada com umidade. O vapor se condensa no ar e forma minúsculas gotas de água; estas por sua vez formam as nuvens. O ar que contém vapor ou nuvens é transportado pelo vento de um lugar a outro, por este motivo, o vento desempenha um papel importante na possibilidade de que chova ou não em um lugar.

 Como as minúsculas gotas que constituem as nuvens não têm possibilidade de cair na terra por seu pequeno tamanho, é possível que se convertam de novo em vapor. Se calcula que cada milhão dessas minúsculas gotinhas podem formar tão somente uma gota de chuva. Estas gotas grandes são as que caem na superfície terrestre em forma de precipitação. De acordo com as condições climáticas, as gotas se unem, às vezes, com cristais de gelo e formam flocos de neve que podem se converter em água à medida que caem na terra ou se precipitam em forma de granizo.
  
Quando chove, a água não desliza pela superfície unicamente, mas parte dela é absorvida pela terra. A possibilidade de que o solo absorva a água depende de diversas circunstâncias, entre elas, o grau de porosidade do solo, a vegetação existente e as camadas que resultam impenetráveis. Por exemplo, nas cidades, o asfalto não permite que a água seja absorvida pelo solo. Em todo este processo existe também a possibilidade de que sejam criadas fontes naturais de água, particularmente quando a chuva é retida nas camadas rochosas.
  
A água superficial é aquela que flui sobre a superfície da terra, como os rios, ou que se encontra em um lugar concreto, como os lagos ou áreas úmidas. Assim, o ciclo da água transcorre em diversas etapas: a evaporação ou transpiração, a condensação, o transporte, as precipitações, a infiltração e o movimento de águas superficiais ou subterrâneas. Em cada um destes momentos, a água representa um grande valor ecológico, uma vez que estabelece as bases para que os diversos ecossistemas, sejam eles aquáticos ou terrestres, tenham possibilidades de vida.

Rio Amazonas e afluentes
Vejamos alguns detalhes:

- Quando as águas oceânicas evaporam, os vapores resultantes já não têm sal, de maneira que nesse momento se realiza uma valiosa transformação da água salgada em água doce, a qual é transportada posteriormente para as superfícies continentais.

- Os ecossistemas dependentes de fluxos de energias e de ciclos de nutrientes essenciais, são providos pela água graças a sua capacidade de dissolvê-los e transportá-los.
Sem a água não funcionariam os ciclos biológicos, geológicos, nem químicos que permitem a vida.

- A presença da água equilibra o calor do nosso planeta ao transportar calor de umas a outras latitudes e consegue que as variações térmicas sejam menores.
  
Tudo isto destaca a enorme importância de manter um bom equilíbrio global da água, já que todos os processos mencionados têm uma permanente interação e uma decisiva influência mútua. Por exemplo, de nada serviria fazer a gestão dos recursos hídricos em uma pequena localidade, de maneira isolada, se no seu entorno as atividades estão desequilibradas.
  
Por este motivo, é preciso que se respeite e cuide o ciclo da água em todo o planeta Terra e que se considerem os elementos de suas diversas etapas para conseguir que continue sendo o valioso motor e base da vida.

Fonte: Sabesp / ÁGUA: NÃO AO DESPERDÍCIO, NÃO À ESCASSEZ !

Água no universo




Pela espectrometria, através da cor e luz emitida, a água já foi identificada em grande parte do universo, em forma de vapor ou de gelo, na atmosfera de algumas estrelas, nas nuvens moleculares interestelares, em vários satélites de gelo do sistema solar, em cometas e em alguns planetas.

"Miranda, uma das luas de Júpiter, é uma grande esfera de gelo"

"Os famosos anéis de Saturno são formados também por partículas de gelo"

"As sondas Vega e Giotto confirmaram a presença de água no Cometa Halley"


ORIGEM DA ÁGUA NO UNIVERSO

Astrônomos norte-americanos descobriram uma nuvem gigante de vapor d’ água, que seria 20 vezes maior do que qualquer outra já mencionada na Via Láctea. A nuvem se encontra na nebulosa de Órion, cerca de 1.500 anos-luz distante do sol. Segundo os cientistas, a nuvem parece funcionar como uma fábrica de água gigante e poderia ajudar a explicar a origem da água do sistema solar. Ela foi detectada por Martin Harwit da Universidade Cornell, e sua equipe, por meio do telescópio espacial ISO, da NASA - EUA. Medições feitas pelos cientistas sugerem que a nuvem produz por dia água suficiente para encher os oceanos da Terra 60 vezes.
                

Constelação de Órion  e Terra vista de satélite
Origem da Água na Terra

Fortes evidências de água líquida na ou perto da superfície da Terra há 4,3 bilhões de anos atrás, foram apresentadas por uma equipe de cientistas da UCLA e Curtin University of Technology em Perth, Autrália  no jornal Nature.

T. Mark Harrison, professor de geoquímica na UCLA, acha provável que a vida começou sobre a terra potencialmente por volta de 4,3 bilhões de anos atrás, porque todas as três condições necessárias para a vida existiam naquele momento. Diz “Havia fonte de energia: o sol; uma fonte de minerais: compostos orgânicos complexos de meteoritos ou cometas; e nossa inferência de que existia água líquida na ou perto da superfície da Terra. Dentro de 200 milhões de anos após a formação da Terra, todas as condições para a vida na Terra parece terem se encontrado”.

Cientistas analisaram uma rocha da Austrália Ocidental que tinha mais de 3 bilhões de anos, com um “ion microprobe” de alta resolução da UCLA – um instrumento que permite aos cientistas datar e descobrir a composição exata dos exemplares. O “microprobe” lança um raio de íons – átomos carregados – num exemplar, deixando sair dele seus próprios íons, que são analisados num “spectrometer” de massa, sem destruir o objeto. Logo os pesquisadores descobriram que, já que a rocha estava depositada cerca de 3 bilhões de anos atrás, contém grãos de mineral antigos – “zircons” – que seriam muito mais antigos; dois dos “zircons” tinham 4,3 bilhões de anos e cerca de uma dúzia de outros foram encontrados com mais de 4 bilhões de anos. A Terra tem 4,5 bilhões de anos.

Portanto as medições sugerem que havia água líquida na superfície da Terra há 4,3 bilhões de anos atrás. De acordo com pesquisa patrocinada pela National Science Foundation e o Center for Astrobiology da NASA.  
  
Nuvem de gás Corona Australus e Planetas
A Água na Terra Primitiva
Planetas próximos ao Sol tendem a evaporar água e, sendo relativamente pequenos como Mercúrio, Marte ou a Lua, não possuem gravidade suficiente para reter esse gás. Assim, foi uma feliz relação entre sua massa e a distância do Sol que permitiu ao nosso planeta conservar toda a água de que dispõe.

De acordo com hipóteses recentes, a Terra formou-se há 15 bilhões de anos atrás, a partir da condensação de uma massa de poeira cósmica, que constituía uma espécie de anel em torno do Sol, supõe-se que a molécula de água já estivesse aí presente, na forma de silicatos e outros minerais hidratados.

Aproximadamente há 4 bilhões de anos atrás, o Globo Terrestre era uma massa incandescente, com o passar dos séculos, o primeiro efeito do resfriamento foi a solidificação das rochas, toda água estava sob a forma de vapor, com o aumento da pressão parte dos vapores passou ao estado líquido, dando origem às chuvas torrênciais de água doce, que junto com o mar cobriram maior parte da terra, este fenômeno ficou conhecido como Dilúvio. Desta maneira surgiram as águas, que por sinal são as mesmas até os dias de hoje; portanto a água é um recurso finito.

Há cerca de 3,5 bilhões de anos atrás nos primórdios da vida na Terra, quando mal cessavam as convulsões telúricas e a imensa fornalha atômica já estava habilitada a receber as sementes da vida:
...o Espírito de Deus pairou sobre as águas - dizem os livros sagrados.

A ciência, por sua vez, acredita que nestes tempos; o vapor d’água resfriava-se e formava nuvens de tempestade - chovia incessantemente em nosso planeta - a água da chuva caia sobre a crosta terrestre ainda muito quente e tornava a evaporar-se, formando novamente imensos temporais com raios e trovões.

Com o passar do tempo, parte das águas de chuva já não evaporava tão rapidamente porque a superfície terrestre foi se resfriando e nas depressões da crosta terrestre, apareceram acúmulos de água que deram origem aos mares primitivos de água salgada.
Por John Emilio Tatton




segunda-feira, 21 de março de 2011

Aviso:

O blog passará por especificações, motivo: estudos o tema a partir de alguns dias será Agua provavelmente eternamente

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Biografia de Malcolm X

Malcolm X foi um popular e polêmico líder do movimento negro nos Estados Unidos, mas vários aspectos de sua vida e de sua luta política continuam nebulosos. Até mesmo o seu assassinato ainda é envolto em mistério e ninguém descobriu quem de fato o tramou. Essas dúvidas e a suspeita de que muito do que se conhece sobre Malcolm X é fruto daquilo que os órgãos de segurança quiseram que fosse divulgado levou a Universidade de Columbia, de Nova York, a criar um projeto ("The Malcolm X Project at Columbia University") para estudar a vida e a importância do ativista.

Além da capacidade de discursar em público, Malcolm X tinha uma personalidade carismática
Foto: © Estate of Malcolm X
Além do talento para discursar, Malcolm X tinha muito carisma
Filho de um pastor que foi provavelmente assassinado por brancos racistas, Malcolm X tornou-se muçulmano enquanto cumpria pena por roubo na prisão e, durante boa parte de sua militância, pregou a segregação entre negros e brancos e atitudes radicais e violentas, incluindo a luta armada contra a população branca nos Estados Unidos. Suas propostas se opunham ao movimento pacífico e integracionista de Martin Luther King Jr., o mais importante líder na luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos nos anos 1960.

Malcolm X conviveu com o racismo e a violência dos brancos contra os negros desde a infância, o que fez sua família fugir de cidade em cidade e, mesmo assim, não evitou que seu pai acabasse morto e sua mãe internada por conta de um colapso mental. No final da adolescência, ele aderiu à vida criminosa o que lhe rendeu uma pena de dez anos de prisão. Foi nesse período que conheceu a Nação do Islã, uma organização de negros muçulmanos que propunha que brancos e negros vivessem em países separados e associava o racismo ao Cristianismo. Ao sair da cadeia, com um discurso agressivo e uma personalidade carismática ele tornou-se rapidamente um dos expoentes da organização e em pouco tempo virou seu porta-voz. 

Mas quando resolveu peregrinar para Meca, na Arábia Saudita, para realmente tornar-se um muçulmano, ele viu de perto que o Islamismo não pregava a separação entre brancos e negros, pelo contrário. De volta aos Estados Unidos resolveu desmascarar o discurso racista e segregacionista da Nação do Islã e adotou as ideias da esquerda internacional pregando que o socialismo era a verdadeira saída para a opressão e a pobreza da população negra na América. Muitos atribuem o seu assassinato, durante um discurso no Harlem, a um plano da Nação do Islã para eliminá-lo, e apesar de um dos assassinos ser membro da organização as investigações não produziram nenhuma evidência que mostre o envolvimento da Nação do Islã com o caso. 

Na próxima página, saiba como foi a infância de Malcolm X e seu ingresso na Nação do Islã.

Black Power e Panteras Negras

O discurso político de Malcolm X, que bradava o orgulho de ser negro e não descartava o uso da violência na luta pelos direitos civis da população negra, inspirou o movimento Black Power e abriu o caminho para o surgimento do Partido dos Panteras Negras. O Black Power foi um movimento filosófico que defendeu o orgulho racial de ser negro e incentivou a população negra a obter controle das instituições que afetavam o seu cotidiano. A frase "black power" (poder negro) foi usada pela primeira vez em 1966 por Stokely Carmichael, líder do Comitê Estudantil pela Não-Violência (SNCC, na sigla em inglês). O "black power" era exercido de diferentes maneiras, como em atos de desobediência civil, no estabelecimento de negócios com proprietários negros, na pressão sobre escolas e universidades para implantarem programas de estudos da cultura negra e apoiando políticos negros nas eleições. Um dos filhotes do Black Power foi o Partido dos Panteras Negras para Auto-Defesa, uma agremiação política revolucionária fundada em 1966 por Huey Newton e Bobby Seale. A proposta original do partido era a formação de milícias de negros nos guetos das grandes cidades para proteger a população da violência policial. Seu projeto político marxista propunha armar toda a população negra na América e libertar todos os prisioneiros negros e exigia o pagamento de uma indenização para compensar os séculos de exploração de todos os negros pelos brancos. Os Panteras Negras envolveram-se em vários conflitos com a polícia e foram acusados de vários ataques violentos na Califórnia, Nova York e Chicago.

Malcolm X: da infância ao ingresso na Nação do Islã

Malcolm X
Foto: © Estate of Malcolm X
Malcolm X nasceu como Malcolm Little em 19 de maio de 1925 na cidade de Omaha, no Nebraska (EUA). Seu pai, Earl Little, era pastor da Igreja Batista e tinha sido um entusiasta seguidor do ativista negro Marcus Garvey, fundador da Associação Universal para o Progresso Negro. Malcolm era o quarto de oito filhos. Ainda quando era bebê, sua família teve que se mudar às pressas para Wiscosin após a casa onde morava ter sido incendiada por uma organização racista chamada Legião Negra, provavelmente em represália aos sermões que o pai de Malcolm dava na igreja defendendo os direitos civis da população negra.

Após três anos em Wiscosin, eles seguiram para uma fazenda em Michigan, rodeada por uma vizinhança branca e racista que exigia que eles fossem para uma região onde só morassem negros. Earl decidiu ficar e mais uma vez a casa dos Little foi incendiada. O pai de Malcolm não desistiu, mas acabou morto em setembro de 1931. Seu corpo foi encontrado mutilado numa estrada de ferro onde teria sido atropelado por uma composição. A polícia considerou suicídio, mas é mais provável que ele tenha sido vítima de um crime racial.

Malcolm tinha seis anos de idade quando perdeu o pai, e sua mãe, Louise Little, teve imensas dificuldades para evitar que os filhos passassem fome, muitas vezes tendo que cozinhar plantas e ervas que catava nas ruas para servir de alimento para eles. Após sete anos tentando manter os filhos, ela não aguentou e teve um colapso mental. Internada numa instituição psiquiátrica, ela permaneceu lá durante 26 anos. Malcolm e seus irmãos foram encaminhados a lares adotivos e centros juvenis mantidos pelo Estado. Quando cursava a oitava série, um dos seus professores disse a ele que era melhor Malcolm aprender o ofício de carpinteiro do que tentar ser um advogado. Foi a deixa para o já adolescente rebelde se mandar para a casa de uma irmã mais velha em Boston.    

Após passar um tempo vivendo de pequenos trabalhos, ele conseguiu um emprego no trem que ligava Boston a Nova York. No tempo que passava em Nova York começou a frequentar o bairro do Harlem e a conviver com os criminosos locais. Logo, Malcolm tornou-se conhecido tanto nas ruas de Roxbury, bairro onde sua irmã morava em Boston, como nas do Harlem, ao mostrar seu jeito durão e liderar gangues de ladrões e traficantes de drogas. Por usar um alisante que tornava seu cabelo vermelho, ele ficou conhecido como "Red"

Em janeiro de 1946, Malcolm acabou preso acusado de assaltos a residências em Boston. Ele foi condenado a dez anos de prisão. Foi nesse período que ele começou a se tornar Malcolm X. Um de seus irmãos, que também estava cumprindo pena na mesma penitenciária, havia aderido à organização Nação do Islã, um movimento que combinava elementos doIslamismo com ideias do nacionalismo negro, e que era liderado por Elijah Muhammad. Ele convenceu Malcolm a seguir seus passos, e o jovem parou de fumar, apostar e comer carne de porco, entre outros mandamentos preconizados pela organização. Suas horas de ócio na prisão foram preenchidas por leituras na biblioteca num processo autodidata que desenvolveu seus conhecimentos e sua capacidade para debater. Seguindo o costume da Nação do Islã, ele também trocou seu sobrenome - segundo a organização, os nomes de família que os negros tinham na América eram originários dos brancos que os escravizaram. No lugar de "Little", Malcolm adotou o "X".   

Quando saiu da prisão em agosto de 1952, Malcolm X era um jovem debatedor tão talentoso e carismático que se tornou ministro assistente do Templo da Nação do Islã em Detroit. Dois anos depois ele já era ministro do Templo no Harlem, em Nova York. Mas àquela altura ele era mais do que um ministro num templo, ele tinha se tornado o porta-voz da Nação do Islã nos Estados Unidos e viajava constantemente pelo país atraindo milhares de novos adeptos para a organização. Em dez anos como uma das mais importantes vozes da Nação do Islã ele fez o movimento saltar de cinco centenas de membros para mais de 30 mil. Na próxima página, saiba o que Malcolm X pregava e o que aconteceu quando ele conheceu o verdadeiro Islamismo em Meca.

Discurso raivoso

No começo dos anos 60, as tensões raciais cresceram nos Estados Unidos, e Malcolm X inflamou seu discurso na mesma proporção. Em 1962, a polícia invadiu um Templo da Nação do Islã em Los Angeles, o que resultou na morte de um dos ativistas, e em seis feridos, sendo que um deles ficou paralítico. Malcolm X reagiu com fúria e convocou protestos da comunidade negra que resultaram em conflitos com policiais, prisões e feridos. Para ele, alguém que agredisse um negro merecia ser mandado para o cemitério. Esse tipo de discurso chamou a atenção do FBI, que infiltrou agentes na Nação do Islã. Alheio ou não à vigilância dos órgãos de segurança, o fato é que, do púlpito de seu Templo no Harlem, ele continuou a pregar usando um discurso raivoso contra a população branca. Para ele, havia uma ligação entre a cor da pele negra e o Islamismo, assim como havia uma entre a cor branca e o Cristianismo, o que tornava o homem branco seu inimigo racial e religioso. Um grave engano que ele só entenderia durante sua peregrinação a Meca alguns anos depois.

Malcolm X: do discurso segregacionista ao anti-imperialista

Malcolm X ajudou a fundar vários templos da Nação do Islã em Nova York, Boston e na Filafélfia, além de criar um jornal da organização que ele imprimia no porão de sua casa. Ele também impôs uma cota de venda dos exemplares do jornal a todos os membros homens da organização para angariar fundos e participou da elaboração da doutrina racial da organização, que resumidamente associava o mal a todos os brancos e defendia a superioridade natural dos negros. 
A doutrina racial de Malcolm X era oposta à do pastor Martin Luther King Jr.
Foto: © Estate of Malcolm X
A doutrina racial de Malcolm X
era oposta à do pastor Martin Luther King Jr.

O Templo no Harlem era um dos mais importantes da Nação do Islã. Quando o assumiu, Malcolm X assumiu também o segundo posto na hierarquia e o de representante nacional da organização. A capacidade de discursar em público, uma personalidade carismática e muita determinação fizeram das aparições de Malcolm X eventos que simbolizavam toda a raiva, amargura e frustração dos negros norte-americanos em relação à sociedade racista em que viviam. Ele pregava a mesma mensagem nas ruas do Harlem ou nas grande universidades, como Harvard e Oxford.

Sua doutrina racial que via nos brancos a encarnação do mal o colocava em posição oposta ao do pastor Martin Luther King Jr., o mais importante líder negro do Movimento dos Direitos Civis nos anos 60 e que pregava a integração racial, a desobediência civil e a não-violência. Malcolm X acreditava que era preciso usar todos os meios necessários para obter a integridade e independência da população negra. Em 1963, quase no topo da hierarquia da Nação do Islã e desfrutando de uma enorme popularidade entre os negros, suas desavenças não eram somente com Martin Luther King Jr., mas também com o líder de sua organização, Eiljah Muhammad. Além de exigir uma atuação mais incisiva da Nação do Islã nos protestos pelos direitos civis - discordando politicamente da opinião de Elijah -, ele também ficou profundamente desapontado com o líder quando descobriu que ele tinha violado os códigos morais da organização e tivera seis filhos com suas secretárias, sendo que algumas delas o processaram e tornaram público o escândalo. 
Em suas jornadas a Meca, Malcolm X percebeu que o Islã era para todas as cores de pele
Foto: © Estate of Malcolm X
Em suas jornadas a Meca, Malcolm X descobriu o verdadeiro Islamismo
Para piorar a situação, logo após o assassinato do presidente John F. Kennedy, Malcom deu uma desastrada declaração de que a morte dele era reflexo de uma violenta sociedade sofrendo as consequências da própria violência, algo como "aqui se faz, aqui se paga". Por conta disso, a antipatia com a organização cresceu e Elijah impôs um período de silêncio de três meses a Malcolm, desautorizando-o publicamente. Ele deixou a organização em março de 1964 e fundou uma nova, a Muslim Mosque. No mesmo ano, partiu para sua peregrinação a Meca, para cumprir com sua obrigação como muçulmano. Essa viagem resultaria em mudanças significativas em sua forma de ver o problema racial.

Em suas jornadas a Meca, Malcolm X percebeu que o Islã era para todas as cores de pele. Ele viu negros, mulatos e brancos lado a lado orando para o mesmo Deus e defendendo os mesmos princípios. Malcolm se deu conta de que o segregacionismo entre brancos e negros defendido por ele e pela Nação do Islã era uma farsa e contrariava a mensagem original de Maomé. Convertido ao Islamismo tradicional - ele optou por ser sunita - Malcolm X completou sua jornada mudando seu nome para El-Hajj Malik El-Shabazz. 

Sem abandonar a crença de que era no Islamismo ortodoxo que residia a solução do problema racial em seu país, ele fundou em 1965 a Organização de Unidade Afro-Americana, uma instituição desvinculada da questão religiosa para promover a defesa dos direitos humanos. Ele também se aproximou do ideário político da esquerda internacional com um discurso anticapitalista e anticolonialista. Reconhecendo que a raiva que ele sentia pelos brancos comprometia sua visão do problema, ele adotou uma nova postura política, que defendia dar poder às comunidades negras por meio do voto, da educação, da auto-suficiência econômica e do desenvolvimento da independência política. A aproximação com as ideias da esquerda política incluíram encontros com Fidel Castro e Che Guevara, um discurso anti-imperialista e críticas ao envolvimento dos Estados Unidos no Vietnã.  

No fim de 1964, Malcolm X e sua família sofreram várias ameaças e em fevereiro de 1965 sua casa no Queens, em Nova York, sofreu um atentado. Uma semana depois, no domingo 21 de fevereiro de 1965, durante seu discurso no Audubon Ballroom, Malcolm X foi assassinado na frente de uma multidão e de sua esposa Betty Shabazz, que estava grávida, e de três de seus quatro filhos. Alguns - como revelou o editorial do "The New York Times" - viram no assassinato dele a morte de um demagogo, outros - como o presidente de Gana - a perda de um importante líder na luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos.

Em 1966, a polícia de Nova York prendeu três homens ligados à Nação do Islã e os acusou pelo assassinato de Malcolm X. Dois foram inocentados, e o único condenado, Talmadge Hayer, disse que o crime foi premeditado, e o planejamento foi feito por ele junto com outros quatro muçulmanos que ele não conhecia.